Curitiba A Assembléia Legislativa aprovou ontem o nome do vice-prefeito de Matinhos, José Maria Correia (PMDB), para ser o interventor do município pelo período de um ano. Correia foi indicado pelo governador Roberto Requião (PMDB) para assumir a administração de Matinhos após um relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontar um desvio de verbas de R$ 2,6 milhões relativo a impostos municipais pagos pelos proprietários de imóveis da cidade que nunca chegaram aos cofres públicos.
O novo interventor foi aprovado pela Assembleía por 40 votos a quatro, em votação secreta realizada em sessão especial. Correia foi sabatinado pelos deputados durante duas horas, embora os parlamentares em sua maioria tenham se limitado apenas a cumprimentar o interventor e desejar-lhe sorte na administração do município.
O único deputado a manifestar-se abertamente contra a intervenção foi Ratinho Júnior (PSB), que acredita que o interventor deveria ser uma pessoa que não tivesse ligações com a administração municipal do prefeito Acindino Matos Duarte, que foi afastado com a nomeação de Correia. ''Não tenho nada contra o nome escolhido pelo governador, mas acredito que a indicação deveria caber ao Judiciário, que poderia escolher alguém sem vínculos políticos no município'', comentou.
Segundo Correia, sua isenção em relação às irregularidades constatadas pode ser verificada pelo fato de ele ter sido o autor das denúncias que culminaram na auditoria do TCE. ''Tivemos reclamações de contribuintes que moravam em Curitiba. Eles foram procurados por pessoas ligadas à Prefeitura de Matinhos para pagar seu IPTU com desconto, o que dava sinais de que o dinheiro recolhido não era remetido aos cofres públicos. Comuniquei os fatos ao prefeito, que não tomou uma atitude, e então decidi procurar o governador'', explicou Correia.
O deputado Geraldo Cartário (PSL) não acredita que o prefeito Acindino Duarte tenha sido beneficiado com as verbas desviadas da prefeitura. ''Sou amigo pessoal do prefeito, e não duvido de sua honestidade. Seu erro foi não ter afastado um grupo de pessoas mal-intencionadas que atuava na prefeitura, mesmo após as denúncias da população e de seu vice'', resumiu Cartário.
Acindino Duarte chegou a entrar com um mandado de segurança para evitar seu afastamento, alegando que o TCE não proporcionou a ele o direito a ampla defesa. O pedido foi indeferido na terça-feira pelo desembargador Octávio Valeixo, que justificou a decisão afirmando que o prefeito teria esquecido de anexar o relatório do TCE ao processo, evitando sua apreciação. Segundo a assessoria do prefeito, Acindino Duarte teria vindo ontem para Curitiba para anexar os documentos.

mockup