Curitiba - A Assembléia Legislativa aprovou ontem na íntegra a mensagem de governo que estabelece a base de cálculo para o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotivos (IPVA). A bancada de oposição ainda tentou apresentar duas emendas dando descontos nos preços estabelecidos pelo governo, mas não conseguiu votos suficientes para aprová-las.
A primeira emenda apresentada pelos deputados de oposição previa a isenção do IPVA para as motos de até 150 cilindradas. O deputado Fernando Ribas Carli (PP) defendeu a proposta, alegando que esse tipo de veículo é majoritariamente utilizado por motoboys e serviços de moto-táxi. A maioria do plenário porém acompanhou a orientação do líder do governo, Natálio Stica (PT) que alegou que ''não caberia a isenção nesse caso, porque muitas pessoas usam veículos para trabalhar, e a receita do Estado seria diminuída sensivelmente com a redução''.
A segunda emenda apresentada pela oposição pretendia um desconto de 5% na tabela apresentada pelo governo com os valores venais sobre os quais deve ser aplicada a alíquota de 2,5% relativa ao IPVA. O líder da oposição, Durval Amaral (PFL), registrou o fato de que a tabela não levava em conta a depreciação sofrida por carros usados, o que fará com que o contribuinte pague mais IPVA este ano do que no ano passado por um mesmo veículo, sendo que o veículo sofreu depreciação em valor de mercado.
A rejeição da emenda, porém, ocorreu de forma sui generis. Embora a oposição tenha conseguido apenas nove votos contra 22 da bancada governista, um voto favorável à emenda chamou a atenção: o do líder do governo, Natálio Stica (PT). O deputado alegou que precisava de mais tempo para analisar a tabela e liberou a bancada para votar como bem entendesse. Coube aos deputados Nereu Moura (PMDB) e Rafael Greca (PMDB) articular a bancada para que a emenda fosse rejeitada.
Embora os deputados tenham tratado a questão como um fato pontual, é cada vez mais forte a tendência de que Stica deixe a liderança do governo em breve. Nas últimas sessões, a defesa veemente das posições do governador Roberto Requião (PMDB) estão cada vez mais recaindo sobre parlamentares, como Greca e Antonio Anibelli.
O afastamento definitivo de Stica deve se dar após o dia 12, quando o PMDB nacional decide se deixa de integrar a bancada de apoio ao presidente Lula. Caso isso ocorra, o afastamento do PT da bancada do governo Requião no Estado é dado como certo, e a pressão para que Stica deixe o cargo irá aumentar. ''Por enquanto, permaneço no cargo porque tenho a confiança do governador. Mas se ele ou meu partido entenderem que isso causa algum inconveniente, me afasto sem problema algum. Não nasci líder do governo, nem vou morrer nesse cargo'', disse Stica.
Perguntado se o cargo de líder do governo na Assembléia não deveria ficar com alguém do PMDB, Greca acabou deixando escapar que de fato está mais ativo na defesa de Requião. ''Não tenho interesse em ocupar esse cargo, e estou apenas cumprindo minha função como parlamentar do partido do governador'', alegou o deputado.

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