Leandro Donatti
De Curitiba
O governo conseguiu aprovar ontem a proposta que institui a cobrança antecipada do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). A matéria passou com folga através dos deputados da base governista. Foram 31 votos dos governistas contra 12, dos deputados de oposição. A votação ocorreu às 18h30 horas, numa sessão extraordinária. Por volta das 14 horas, um buzinaço organizado por diversas entidades contrárias às novas regras do IPVA tentou demover os deputados. O protesto, entretanto, não sensibilizou os governistas.
Para virar lei e entrar em vigor já em 2000, a matéria depende da sanção do governador Jaime Lerner (PFL), que está nos EUA, ou da governadora em exercício, Emília Belinati (PTB). A chancela está prevista para acontecer ainda nesta semana. Pelas novas regras, o IPVA não terá mais calendário de cobrança ao longo do ano. A arrecadação dos R$ 130 milhões, previstos, será feita de janeiro até maio, contemplando parcelamentos em quatro vezes. Só haverá descontos para pagamentos à vista. Quem pagar em janeiro, terá desconto de 15% e quem optar por fevereiro, 5%.
O secretário-chefe da Casa Civil, Tato Taborda, que acompanhou a votação, admitiu que a proposta ‘‘num primeiro momento, tem impacto não muito’’. ‘‘Mas o governo tem de olhar para o interesse geral e não dos particulares’’, argumentou Taborda. O secretário não soube mensurar se a medida vai trazer desgaste para o governo. ‘‘Essa antecipação é estratégica. Nos meses de janeiro, fevereiro e março há uma queda na arrecadação’’, avaliou.
A oposição tentou até o fim mexer na proposta, mas entrou em plenário sabendo da derrota. A bancada governista estava fechada com o Palácio Iguaçu. O líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), passou o fim de semana fazendo contatos e costurando a votação. A estratégia de transformar a sessão em comissão geral, onde as emendas seriam analisadas em plenário, foi abortada na última hora.
‘‘Só temos a lamentar’’, disse o líder das oposições, Edgar Bueno (PDT). ‘‘O governo está cometendo um erro muito grande’’, reforçou o líder do PMDB, Orlando Pessuti, que defendeu calendário alternativo estendendo a arrecadação do IPVA até novembro.

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