Curitiba - A Assembléia Legislativa aprovou ontem em primera discussão o projeto de lei que autoriza um aumento de cerca de 50% nos vencimentos dos secretários estaduais, que passarão a receber agora R$ 11,9 mil. O projeto foi apresentado no início do ano pelo deputado Antônio Anibelli (PMDB) a pedido do governador Roberto Requião (PMDB), mas devido ao clima pré-eleitoral foi mantido fora da pauta por vários meses pelo presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB).
A votação do projeto foi conturbada. Embora seja presidente estadual do PT, que teoricamente integra a base do governo na Assembléia, o deputado André Vargas (PT) pediu ontem o arquivamento do projeto. ''Os secretários estaduais precisam de aumento, mas todos os servidores comissionados também precisam de uma revisão nos vencimentos. É inconcebível que um chefe regional de um núcleo de saúde, com todas as suas responsabilidades, ganhe apenas R$ 1,9 mil. O governo que faça uma proposta abrangente para que possamos votar aqui na Assembléia'', disse Vargas.
O petista, que bateu recentemente de frente com o governo estadual (leia nesta página), considerou o aumento exagerado. ''Um ministro do governo federal, que tem responsabilidades maiores do que os secretários estaduais, recebe apenas R$ 8 mil'', salientou.
A bancada de oposição também aproveitou a oportunidade para atacar o governo, apresentando uma emenda ao projeto que estipulava o mesmo indíce de reajuste concedido aos secretários a todos os servidores públicos. Os deputados também criticaram o fato do projeto não ter sido de autoria do governador, através de uma mensagem. ''O governo que deveria ser o autor de uma mensagem com um contéudo desse teor, que traz desgaste pra imagem da Assembléia'', comentou Élio Rusch (PFL). A Constituição, porém, prevê que o salários dos secretários deve ser fixado através de lei de iniciativa da Assembléia.
O deputado Jocelito Canto (PTB) defendeu a iniciativa do projeto e criticou a oposição. ''Essa emenda que prevê um aumento geral é demagógica. Mas é que a oposição não está acostumada a votar aumento. Quando eles eram situação, na época do governo Jaime Lerner (PSB) deixaram os governadores oito anos sem reajuste'', disparou.
A resposta da oposição, porém, foi rápida. O líder da bancada oposicionista, Durval Amaral (PFL) criticou a postura de Jocelito. ''Acho que não custa relembrar que quando esse projeto chegou à Assembléia o senhor não estava às mil maravilhas com o governo e registrou seu voto contrário ao aumento'', rebateu Amaral, lembrando que Jocelito só começou a apoiar o governo devido a um acordo eleitoral firmado entre o PTB e o PMDB. Os dois deputados chegaram a iniciar um bate-boca, que foi contido com a intervenção do presidente da Assembléia.

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