Curitiba A Polícia Militar do Paraná vai ter que esperar mais um pouco pela aprovação da mensagem de lei que concede aumento de gratificação parcelado de 130% à corporação. Governo e deputados não conseguiram chegar a um acordo em relação às datas de pagamento e a votação final ficou para a semana que vem. Na manhã de ontem a mensagem foi aprovada somente em primeira discussão, quando é votada a constitucionalidade do projeto. A expectativa da PM, que levou representantes às galerias da Assembléia para acompanhar a votação, era que o aumento fosse aprovado ontem.
O texto original empurra o pagamento dos reajustes para o próximo governo. Os reajustes seriam concedidos em 2003, 2004 e 2005. A estratégia irritou os policiais militares, que preferem o pagamento dos aumentos integralmente em 2003.
Representantes da PM, do Palácio Iguaçu e deputados têm agora uma semana para resolver o impasse. Os parlamentares estudam emendas para alterar a proposta do governo e adiantar os reajustes.
Uma delas, elaborada pelo deputado Orlando Pessuti (PMDB), vice na chapa de Roberto Requião (PMDB), prevê o pagamento antes do fim da gestão Jaime Lerner (PFL). ''É fácil fazer cortesia com o chapéu alheio. Outras categorias receberam reajustes imediatos, a PM também tem esse direito'', criticou Pessuti.
As líderes do movimento das mulheres dos PMs já avisaram que, se o governo insistir em pagar em três anos, elas preferem que a mensagem não seja votada. Em termos gerais, o projeto elaborado pela equipe de Lerner acaba com desníveis salariais entre policiais militares que exercem a mesma função.
Na manhã de ontem, o governador reafirmou que fez tudo o que podia pela PM. No entanto, a resolução do problema que se arrasta desde o governo Alvaro Dias (1987-1990) teria que ser feita de forma gradativa. ''Estou tomando uma atitude responsável. Não quero deixar bombas de efeito retardado para o próximo governador.''
Caso seja aprovada emenda que altere o conteúdo da proposta e aumente os gastos do Estado com pessoal, a mudança será vetada. ''Não posso comprometer o equilíbrio financeiro das contas públicas para parecer um bonzinho de última hora'', avisou Lerner.(Colaborou Luciana Pombo)

mockup