Assembléia adia votação da Copel
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quinta-feira, 16 de agosto de 2001
Maria Duarte<BR>De Curitiba 
A votação do projeto de iniciativa popular que impede a venda da Companhia Paranaense de Energia (Copel) foi adiada pela segunda vez. A sessão está marcada para segunda-feira, às 14h30 mas não foi descartada a possibilidade de novo adiamento, caso o plenário não esteja em condições de abrigar a sessão.
O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PTB) entendeu que não havia clima para votar o projeto devido à concentração dos estudantes na Assembléia. ''Recebi informações que eles pulariam da rampa para dentro do pátio. Poderiam se machucar seriamente ou haver confronto com os policiais'', justificou Brandão. A sessão aconteceria no Plenarinho, e não seria aberta aos manifestantes. A votação seria realizada anteontem, mas foi transferida para ontem por causa da invasão dos estudantes, que acamparam no plenário.
A oposição reclamou. O líder dos partidos de oposição, Waldyr Pugliesi (PMDB), disse que a sessão foi cancelada porque o governo não estava seguro de ter os votos necessários. ''Faltou o (deputado Luiz Fernandes) Litro nas prateleiras do governo'', protestou. Litro está internado em Curitiba, com problemas cardíacos. A sessão estava marcada para as 10 horas, mas havia sido antecipada para as 9h30, e não seria pública. Brandão disse que avisou todas as lideranças de partidos, mas Pugliesi não concordou com a iniciativa. ''O governo está com medo de votar, por isso derrubou a sessão. A segurança está garantida, mas de maneira asquerosa''.
A bancada governista teve ontem novas reuniões no Palácio Iguaçu. O líder do governo, Durval Amaral (PFL), admitiu que o Palácio Iguaçu está preocupado com os adiamentos da votação. ''O governador quer que o projeto seja votado o quanto antes'', declarou. Ele disse que a situação faz 27 votos, dois a mais que a oposição. Pugliesi acredita que ainda pode virar o jogo. Governistas e oposicionistas terão um final de semana intenso, para evitar desertores.
Brandão acredita que a sessão pode ser realizada no plenário, e não fora da Assembléia como havia sido cogitado durante a tarde. Ele descartou a possibilidade de votar no Plenarinho, que não tem sistema de som adequado.
Pela manhã, antes dos estudantes deixarem a Assembléia pacificamente, Brandão pretendia entrar na Justiça para desocupar o plenário. ''Não podemos permitir que eles nos impeçam de votar'', declarou.
Além de redigir uma nota de repúdio por causa forte aparato policial, a oposição decidiu enviar ofício convidando para a sessão o presidente interino do Senado (Edison Lobão, PFL-MA) e o presidente da Câmara dos Deputados (Aécio Neves, PSDB-MG) além dos três senadores paranaenses Alvaro Dias (PSDB), Osmar Dias (sem partido) e Roberto Requião (PMDB).


