Assembléia adia criação da CPI do Porto
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terça-feira, 16 de março de 2004
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Está engavetada, pelo menos por ora, a idéia de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa). A proposta partiu do deputado estadual Valdir Leite (PPS), que chegou a mostrar no início do mês, no plenário, um vídeo onde apareciam ratos nas dependências do porto. O objetivo da CPI, que vinha sendo articulada há semanas, era apurar denúncias de omissões por parte da administração e problemas de logística no Porto de Paranaguá.
Depois de uma reunião, no final da tarde de aonteontem, entre os deputados da base governista e o superintendente do porto, Eduardo Requião, irmão do governador, os aliados do Palácio Iguaçu concluíram que não há necessidade de uma CPI. A base aliada é maioria na Assembléia. O vice-governador e secretário de Estado da Agricultura, Orlando Pessuti, disse que considerando o que ouviu dos deputados aliados não é necessária a abertura de investigações.
Natálio Stica (PT), 1º vice-presidente e futuro líder governista, afirmou que a CPI está temporariamente suspensa. Segundo Stica, a Comissão de Fiscalização da Assembléia vai conversar com a direção do porto, que deverá prestar esclarecimentos detalhados.
Valdir Leite vai esperar. Se não forem explicados problemas do porto, ele pretende propor a CPI, que por enquanto tem 16 das 18 assinaturas necessárias para ser instalada.
O recuo na CPI gerou polêmica no plenário. Os deputados debateram o assunto por cerca de uma hora. O líder da oposição, Durval Amaral (PFL), cobrou a lista de deputados que apoiaram a CPI, pois Leite não divulgou os nomes. Amaral disse que os governistas estariam com medo da investigação. Nesse momento, Antonio Anibelli, líder do PMDB, partiu para o contra-ataque. ''Nós não tiramos as assinaturas da CPI da Sercomtel (empresa de telefonia de Londrina). Eu não assinei essa CPI, se quiserem continuar com ela, continuem'', declarou Anibelli, que se referia ao recuo dos deputados em instalar uma CPI para investigar a compra de ações da Sercomtel pera Copel, durante a gestão Jaime Lerner (PSB).
No final da sessão, Valdir Leite disse que vai respeitar o acordo com a base e aguardar para pedir a instalação da comissão.
Esta não é a primeira vez que o Porto de Paranaguá é alvo de investigação na Assembléia. Há quase dez anos aconteceu a primeira Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) tendo o porto como tema. De acordo com a Diretoria Legislativa da Casa, a primeira CPI do Porto aconteceu em 1995, primeiro ano do governo Jaime Lerner (PSB), mas referente ao governo anterior, que era de Requião. ''A primeira CPI apurou denúncias sobre a indústria de ações trabalhistas no porto'', lembra o presidente da comissão, ex-deputado Algaci Túlio, atualmente coordenador do Procon do Paraná. O relator da comissão naquela época, segundo a Diretoria Legislativa, foi o hoje deputado federal Florisvaldo Fier (PT), o Doutor Rosinha. Além de um passivo trabalhista gigantesco, os deputados lerneristas, na época, tinham como item de investigação a dragagem do Canal da Galheta, feita na época por uma empresa do Rio de Janeiro. Apurou-se suspeitas de superfaturamento no serviço.


