Assassinos de Mathias ainda não foram apanhados pela polícia
A lembrança amarga que restou da morte do prefeito de Arapuã, Hélio Mathias (PTB) está viva e roda pelos bairros embarreados do município: uma Kombi. Foi o veículo que ele adquiriu minutos antes de seu assassinato, em Arapongas. Mathias levou três tiros à queima-roupa depois de sair de uma concessionária de veículos, onde foi entregar carta-convite para a aquisição da Kombi.
Quase quatro meses depois do homicídio, a Polícia não prendeu ninguém. Nem mesmo o pedido de urgência nas investigações feito pelo governador Jaime Lerner (PDT), um dia após o crime e sua determinação à chefia da Polícia Civil de não medir esforços para identificar os culpados foi suficiente. Até agora, a Polícia limitou-se a divulgar o retrato falado dos dois suspeitos do crime, no dia 2 de maio, e se calou diante do caso.
O delegado responsável pelas investigações, José Carlos Bassalobre, disse que os assassinos foram identificados, mas eles estão foragidos. Os dois são da Bahia. A prisão preventiva foi decretada, mas até agora eles não foram localizados. Temos feito contato sempre com a polícia de lá, mas até agora não logramos êxito, admite.
Segundo ele, outros suspeitos estão na mira da Polícia. Trata-se dos mandantes do homicídio, que o delegado diz serem daqui mesmo, do Paraná, mas não revela nomes para não atrapalhar as investigações. O crime teve motivo político. Pessoas que não tinham interesse em que ele governasse, diz Bassalobre.
É duro para a gente falar sobre o assassinato, apesar da cobrança da comunidade, que clama por Justiça. A gente só fica na retaguarda, com medo de represália, diz o prefeito José Pereira da Silva (PMDB), o Tarugueiro. Ele tem 29 anos e é ex-vereador de Ivaiporã, do qual foi desmembrado o então distrito de Arapuã, emancipado em janeiro deste ano.
Nunca passou pela cabeça da gente uma coisa dessa e assumir desse jeito não é orgulho para ninguém. Muito pelo contrário: é ruim, mas tenho que honrar o compromisso e levar como ele estava levando.
O município ainda não está estruturado. Já era largado quando era distrito, mas estamos aí para trabalhar pelo povo e mesmo com as dificuldades, a localidade melhorou, afirma Tarugueiro. Passados sete meses do início da administração, Arapuã ainda não dispõe de ambulância. Quem precisa ir ao hospital se desloca com o carro do gabinete do prefeito, com o veículo da Associação de Proteção à Maternidade e à Infância e até de táxi.
O resto tá normal. A educação e os quatro postos de Saúde estão funcionando normalmente e o quadro de funcionários é o mesmo. Não contratamos mais ninguém. Ele diz que a grande meta de Mathias era atender bem a zona rural. Ele falava de cascalhar as estradas, revela Tarugueiro, que está atrás de recursos para conseguir concretizar o sonho do prefeito assassinado. (P.Z.)





