Foz do Iguaçu A Polícia Civil investiga o assassinato do balconista Valdir Pereira Ribeiro, 21, morto a tiros anteontem à noite em Foz do Iguaçu. O crime aconteceu no momento em que o candidato à presidência pela Frente Trabalhista (PPS-PDT-PTB), Ciro Gomes, caminhava para discursar no palanque. A execução cancelou comício, mas o show foi mantido.
O homicídio ocorreu às 21h30, quando a terceira pista da Avenida JK, no centro, estava ocupada por cerca de dez mil pessoas. Depois de conceder entrevista coletiva no aeroporto, Ciro Gomes aguardava o momento de iniciar o discurso. Os disparos ocorreram enquanto o apresentador anunciava a subida dele ao caminhão de som.
Após correria, foi anunciado o cancelamento dos discursos do presidenciável, do candidato ao governo do Paraná, Álvaro Dias (PDT), além de candidatos a deputado estadual e federal. Segundo um dos organizadores do evento, Vilmar Andreola, a medida foi tomada em ''respeito à vítima''. Ciro não comentou o episódio.
Valdir, que era estudante secundarista, recebeu sete tiros de pistola 9 milímetros no tórax e morreu a caminho da Santa Casa. Segundo a irmã dele, Edite Pereira Ribeiro, 29 anos, ''ele tinha saído da Loja Epidemia (onde trabalhava) para ir ao comício''. A mãe, Jandira Pereira Salazar, 49, chorava muito no pronto-socorro. Valdir seria enterrado à tarde em Foz.
Ontem, a polícia prendeu um adolescente, de 17 anos, que estaria no local no crime. O assassinato teria sido ''motivada por uma briga de gangues''. Segundo a delegada Márcia Braga, o jovem negou autoria dos disparos e apontou um colega como homicida. ''A vítima tinha antecedente criminal por roubo, ocorrido em março de 2000'', afirmou.
Durante entrevista no aeroporto, Ciro comentou a divisão da Frente Trabalhista no Paraná. ''Temos PDT e PTB de um lado e PPS de outro. É uma situação que eu lamento'', disse, sobre as candidaturas de Álvaro Dias (PDT) e Rubens Bueno (PPS). Também negou a possibilidade dos candidatos à presidência assinarem um acordo de metas com o FMI.
Questionado sobre a vunerabilidade diante ao FMI, respondeu que o ''país tem um rombo extraordinário nas contas externas. O dinheiro do FMI é o mais barato e às vezes é o único que se pode mobilizar extra-risco de mercado''. Afirmou ainda ser necessário ''equilibrar as contas'' para o Brasil não ficar a mercê de especulações.
Ciro passaria o dia ontem em Fortaleza (CE), seu reduto eleitoral. À noite, ele estaria no Fortal, carnaval fora de época que está sendo realizado na capital cearense. Hoje está previsto um corpo a corpo com eleitores na Avenida Santos Dumont.

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