Arquivo FolhaDesesperoHelena Mathias: ‘‘Quanto mais o tempo passa mais eu sinto saudades, mais a dor aumenta’’‘‘Quanto mais o tempo passa, mais a saudade aumenta. Mais aumenta a dor. Eu choro todos os dias, eu reclamo todos os dias’’. O desabafo é de Helena Mathias, viúva do prefeito de Arapuã, Hélio Mathias (PTB). Hoje faz seis meses que o prefeito foi assassinado com três tiros. O crime aconteceu em Arapongas, quando ele saía de uma concessionária de veículos. Seis meses de investigações não foram suficientes para a prisão dos três assassinos nem do mandante do crime. O inquérito policial não foi concluído até agora.
A Polícia identificou os criminosos - Jessé Monezi, Antônio Carlos Silva e Robson de Oliveira Santana, dois deles da Bahia -, cujos mandados de prisão foram expedidos pela Justiça, mas não houve êxito nas prisões. Ainda não se sabe quem mandou matar Hélio Mathias.
Casada há 24 anos com o prefeito, a viúva diz que a angústia fica maior a cada dia. ‘‘Voltar ele não vai, mas precisava esclarecer o crime. Só Deus sabe o que a gente passa, a agonia que a gente sente. A família está chocada’’, diz Helena. E relata a angústia dos três filhos do casal e dos pais de Mathias, que completaram bodas de ouro três dias antes do assassinato do prefeito. ‘‘Os parentes já tinham chegado para a festa, mas encontraram um enterro’’, recorda. ‘‘A mãe dele, de 70 anos, chora todos os dias’’.
Helena Mathias diz que a família mistura dor e revolta com estado de choque. ‘‘Parece que ele está viajando’’, diz a viúva, ainda inconformada. ‘‘Mas tenho fé em Deus que o crime vai ser esclarecido e que a Justiça será feita’’. Em agosto, cerca de 500 pessoas entre familiares, amigos e eleitores de Mathias fizeram uma passeata silenciosa pelas ruas de Arapuã para lembrar os quatro meses da morte do prefeito, o primeiro do município, ex-distrito de Ivaiporã.
A passeata teve reza, velas e faixas que pediam justiça e agilidade na solução do crime. ‘‘Ele não tinha enguiço com nada’’, afirma a viúva. Desta vez, não haverá manifestação, mas uma missa, no distrito de Romeópolis, às 19h30. ‘‘A função da igreja não é investigar. A gente tenta confortar as pessoas, mas é difícil. O pessoal está aflito. Quem vai se conformar com uma morte dessa?’, questiona o padre Eugênio Cereja, que celebra, todo mês, missa em homenagem ao prefeito assassinado. Hélio Mathias deixou três filhas (22, 20 e 16 anos) e dois netos (2 anos e um ano).
‘‘Eu poderia até concluir o inquérito na fase em que está, já que os assassinos foram identificados e podem ser denunciados pela Justiça. Mas esperamos prendê-los para chegar ao mandante’’, justifica o delegado responsável pelo inquérito, José Carlos Bassalobre. Ele diz que não houve provas contra o mandante. ‘‘O crime só será esclarecido com a prisão dos assassinos, que estão foragidos’’, assume.
O delegado diz ter reivindicado recursos e material junto ao comando da Polícia Civil para se deslocar a outros estados atrás dos criminosos. ‘‘Esse caso depende de uma investigação itinerante’’, argumenta. O promotor de Justiça de Arapongas, Denis Pestana, recebeu no início do mês o pedido de dilação do prazo para conclusão do inquérito. ‘‘Vamos saber do delegado o que ele necessita e, se for preciso, reivindicar apoio da Procuradoria Geral da Justiça’’, diz o promotor, que reconhece a lentidão na prisão dos assassinos.

mockup