Assassinato de lider extremista abala a Holanda
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terça-feira, 07 de maio de 2002
Hervé Clerc <br>France Presse 
HaiaO assassinato do líder da direita populista, Pim Fortuyn, provocou um grande terremoto político na Holanda, havendo até dúvidas sobre a realização das eleições legislativas, previstas em princípio para o próximo dia 15. Em princípio, o pleito foi mantido pelas autoridades.
Estupefação, titularam ontem, em primeira página, os três principais jornais holandeses.
Na Holanda, país de 16 milhões de habitantes, onde até a véspera predominava a lei de solucionar as controvérsias políticas pelo diálogo e o compromisso, o assassinato de Fortuyn, em meio à campanha eleitoral, constitui um fato sem precedente.
O motivo do crime ainda é desconhecido. O suposto homicida, um holandês de 33 anos, detido na segunda-feira, quando cometeu o crime, e mantido em prisão preventiva, pertence a meios da extrema-esquerda, segundo o Telegraaf (direita). Seu advogado, Bakker Schut, é conhecido por defender militantes de extrema-esquerda, minoritários na Holanda.
O adiamento das eleições poderia resultar em uma paralisação em matéria de decisões importantes. Para alguns analistas, o traumatismo causado pelo assassinato de Fortuyn deve dar aos holandeses um tempo de reflexão antes do comparecimento às urnas.
A chapa de Pim Fortuyn estava credenciada com um percentual importante nas eleições, o que lhe teria significado converter-se em um dos principais grupos políticos da Holanda.
Na eleição municipal de março passado, Pim Fortuyn conseguiu, para surpresa geral, 35% de votos em Rotterdã e seu partido passou a ser a primeira força política da grande cidade portuária. A ascensão meteórica de Fortuyn foi construída em torno do tema da luta contra a imigração. Sua queda brutal e fulminante traumatiza seus seguidores, já que sem seu líder carismático, seu partido fica praticamente decapitado.
Ao contrário da maior parte dos partidos europeus ultradireitistas, a chapa Pim Fortuyn não tem tradição militante, nem raízes geográficas, nem quadros com experiência, nem nenhum deputado.
Normalmente, deve assumir as rédeas partidárias seu número dois, João Varela, holandês, negro, de orígem de Cabo Verde.
Varela disse estar completamente perturbado pelo assassinato. Fortuyn era para mim uma espécie de pai, me inspirava, inspirava todo o país, disse.
Pim Fortuyn, sempre de extrema elegância, se deslocava em suntuosos carros negros com um estilo glamoroso que contrastava com o aspecto geralmente austero dos políticos holandeses, imbuídos da cultura calvinista.
Fortuyn assumia sem complexos sua homossexualidade. Seus cavalinhos de batalha eram suas opiniões taxativas contra os viciados em drogas, os imigrantes e o retrógrado Islã. Um membro de seu partido afirmou que Pim mostrava estar com medo.


