O primeiro baque do regime veio em outubro de 1975: o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado nos porões do DOI-Codi paulista. Houve grande mobilização popular, na qual se destacou o cardeal Paulo Evaristo Arns. Geisel, que tempos depois justificaria a tortura, advertiu os generais linha-dura que não permitiria a repetição de uma morte nos porões. Três meses depois o aparelho repressor matou o operário Manoel Fiel Filho. Geisel demitiu o comandante do 2 º Exército e passou o resto de seu mandato enfrentando tentativas tópicas de desobediência.
Entre 1964 e 1985, quando o Brasil voltou a ter um governo civil democrático, muitos foram cassados - estima-se que em torno de 3.500 pessoas - exilados, presos, torturados e mortos. Três dessas mortes foram simbólicas: uma - a do estudante Edson Luís, em 1967 - levou o regime ao auge do endurecimento; e duas - as do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, e do operário Manoel Fiel Filho, em 1976 - delinearam o início do seu desmantelamento final.
A ONG Tortura Nunca Mais lista 154 mortes (17 mulheres) provocadas pela ditadura, a maior parte nos anos da luta armada. Os maiores números aconteceram em 1972, quando morreram 38 (5 mulheres), e em 1973, quando morreram 28 (5 mulheres). A partir de 1974, quando a luta armada foi gradualmente substituída pela mobilização pacífica, as mortes se reduziram. A partir daí, a maioria dos casos aconteceu em sessões de torturas nos porões de um regime cada vez mais agonizante.
O último general, João Figueiredo, foi escalado para consolidar o ritual de volta à democracia. Começou sob o alentado signo da anistia e da criação de novos partidos, que os ideólogos do governo maquinavam como uma forma de pulverizar os esforços da oposição. Aconteceu ao revés: as múltiplas agremiações enraizaram a mobilização popular, fortalecida pelas seguidas e históricas greves do ABC paulista, de onde brotariam Luiz Inácio Lula da Silva e o PT.

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