Assad quer que MP investigue conjuntos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de maio de 2000
Pedro Livoratti De Londrina 
O presidente da Cohab de Londrina Assad Jannani apresenta na quinta-feira, ao Ministério Público de Londrina, um pedido de investigação para apurar a operação que transferiu dívidas de mais de 30 conjuntos construídos em cidades da região à companhia. Os chamados conjuntos sub-rogados foram construídos entre 91 e 93, envolvendo muita polêmica e denúncias de superfaturamento. Até hoje estas unidades representam um problema para a Cohab, somando uma dívida de cerca de R$ 130 milhões. O pedido ocorre menos de uma semana depois que o Movimento pela Moralização na Política de Londrina, juntamente com o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), apresentaram solicitação à Promotoria de Defesa do Consumidor apontando irregularidades no programa Poupalar e no projeto Renascer, ambos realizados pela companhia.
Gostaria que agora, na esteira do Movimento pela Moralização, o Ministério Público esclarecesse enfim a polêmica destes conjuntos, afirmou Assad. Segundo ele, os conjuntos foram feitos com recursos federais e posteriormente repassados à Cohab, quando começaram as cobranças das prestações. A operação de transferência, informou Assad, envolvendo grande mistério. Técnicos da companhia só ficaram sabendo da operação dois anos depois da transação, informou ele.
Ontem o presidente da Cohab disse que oficiou a Caixa sobre a proposta de devolução amigável dos imóveis. De fato eles estão devolvidos, só falta agora devolvê-los de direito, informou o presidente da Cohab. Desde que assumiu a presidência da companhia, há 16 meses, o pagamento da dívida junto à Caixa, referente aos chamados conjuntos sub-rogados foi suspenso. Ele aguarda um parecer do Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), responsável pelo débito.
De acordo com Assad, em 1995 houve uma sindicância interna sobre esta dívida que foi enviada à Procuradoria da República. Estou retomando este assunto agora porque existe um movimento que cobra moralidade, mas esta investigação foi varrida para debaixo do tapete, afirmou. Não estou acusando ninguém, frisou ele. Ele negou que esteja dando o troco em virtude dos projetos da companhia terem sido questionados pelo Movimento pela Moralização e pelo Sinduscon, na semana passada.
Para documentar a informação que deverá ser repassada ao Ministério Público, o presidente da Cohab pretende também entregar fitas de vídeo mostrando detalhes das construções. Segundo ele, são unidades pequenas e de preço alto para o padrão de construção. Ele calcula que, em virtude desta dívida superior a R$ 130 milhões representou um prejuízo grande à Cohab, que durante os últimos oito anos deixou de entregar casas.
Assad informou que as denúncias formuladas ao MP não afetaram a credibilidade dos programas. Ao todo são aproximadamente 26 mil poupadores. Segundo detalhou, somente o programa Poupalar registra um caixa de R$ 10 milhões. Assad informou também que os valores e a engenharia financeira dos programas, que combina poupança programada, consórcio e mecânica de títulos de capitalização, atraem instituições financeiras, inclusive de capital internacional, dispostas a investir no projeto.
Sobre a expectativa de que as dúvidas levantadas pelo Movimento pela Moralização juntamente com o Sindicato da Construção Civil de Londrina, de que os programas não têm condições de atender a demanda, o presidente da Cohab disse que enviará informações sobre licitações do Condomínio Ilha Bela, que já foi entregue aos moradores. Gostaria que o MP, que hoje representa o quarto poder, tivesse condições de investigar todas as denúncias da sociedade, afirmou Assad Jannani.


