Arquivo FolhaJannani: ‘Fui ao Rio como cidadão e não como superintendente da Sercomtel’O ex-vice-prefeito de Londrina, Assad Jannani, confirmou ontem que o Banco Vetor pagou despesas de hospedagem no Hotel Meridién, em uma das vezes que viajou ao Rio de Janeiro para conversar com os diretores do banco. Assad ressalvou, no entanto, que quando isso ocorreu não era mais superintendente da Sercomtel, como foi publicado ontem na Folha. ‘‘Fui exonerado da Sercomtel em 24 de fevereiro e, quando estive no Rio para uma reunião com os diretores do Banco Vetor, fui como cidadão e não como superintendente da Sercomtel. Eu paguei as passagens. Acontece que, como a reunião se estendeu além do tempo previsto, perdi o vôo de volta a Londrina. Então, o banco se dispôs a pagar a diária do hotel. Não vejo nada irregular ou antiético nisso. Além do mais, na época, estava rompido com a administração do prefeito Luiz Eduardo Cheida e não tinha qualquer poder de influência na condução da Sercomtel’’, disse Jannani.
Segundo o ex-vice-prefeito, ele viajou ao Rio para convencer o Vetor a publicar a proposta de venda de ações da Sercomtel que o banco havia feito à prefeitura. O Vetor não aceitou, alegando que havia um acordo de que as propostas só seriam divulgadas depois de anunciado o vencedor. Como a licitação não foi adiante, os diretores do banco disseram que não poderiam atender ao pedido do ex-vice-prefeito.
Jannani afirmou que, se tivesse conseguido o documento, provaria sua denúncia de que a prefeitura queria vender ações do Sercomtel por valores menores do que elas realmente valiam. Segundo ele, alguns bancos e corretoras, entre eles o Sudameris, Vetor, Bradesco, Boa Safra e Atlântica, apresentaram propostas, através de carta-convite, para colocar as ações da Sercomtel no mercado. No dia da abertura das propostas a licitação foi suspensa e os envelopes devolvidos às respectivas empresas.
O ex-vice-prefeito garantiu estar convencido de que sua exoneração foi motivada por pressão de bancos interessados em adquirir ações da Sercomtel a preços baixos. ‘‘Com a minha saída da Sercomtel, era óbvio que as ações cairiam. É assim que funciona o mercado. Ninguém investe numa empresa que não sabe que rumo irá tomar. Minha exoneração foi planejada para provocar esse tipo de situação. Diretores do banco Vetor já haviam me alertado de que, com minha saída, iria haver deságio nas ações’’.
Jannani ressalvou que sua relação com os diretores do Banco Vetor foram sempre profissionais e que eles receberam o mesmo tratamento que os outros diretores dos demais bancos interessados em operar com a Sercomtel. Ele disse que está a disposição para qualquer esclarecimento e, caso seja convocado a depor pela CPI dos Precatórios, irá ‘‘com prazer’’, impondo apenas uma condição: que paguem a passagem.
O ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida afirmou que a versão de Jannani para sua exoneração é ‘‘fantasiosa’’. ‘‘O Assad foi exonerado porque não cumpriu as determinações do prefeito. Houve denúncias de irregularidades na contratação de empresas que fizeram a publicidade pró-privatização da Sercomtel. O promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti, estava investigando o caso. Ele desobedeceu ao prefeito e ao promotor’’, comentou Cheida. O ex-prefeito disse, ainda, que o processo de licitação para a venda das ações da Sercomtel, através de carta-convite, ‘‘era flagrantemente ilegal’’. ‘‘Foi o que alertou o promotor Galatti. Por isso suspendemos o processo e devolvemos os envelopes com as propostas aos bancos e corretoras’’, explicou Cheida.

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