O ex-vice-prefeito de Londrina e ex-presidente da Cohab, Assad Jannani (PDT), afirmou ontem que teve a sua candidatura a Câmara dos Deputados vetada pelo seu irmão, o deputado federal e presidente do PPB, José Janene. No Paraná, os dois partidos se coligaram também ao PPS e ao PTB.
Segundo Jannani, o seu nome foi apontado pelo diretório municipal do PDT para uma das duas vagas do partido à Câmara dos Deputados ainda em outubro de 2001. No entanto, o PDT registrou apenas a candidatura de Henrique Barros. ''A informação é de que a minha candidatura teria sido obstaculizada pelo próprio deputado José Janene, até sob pena de rompimento da coligação. Como era uma afirmação do presidente do partido, fomos checar. A mim ele (Janene) não só não justificou o veto, como negou, mas me confirmou que mandaria um fax para o PDT, que jamais foi enviado. Se não houvesse o veto ele teria cumprido sua palavra de mandar o fax'', disse Jannani. ''Até o fato de ter uma redução do número de vagas, é compreensível. Foi questionado o fato de ter sido mantido o nome de Barros e retirada a minha. A decisão cabe ao PDT de Londrina.''
Jannani afirmou que poderá entrar na justiça para garantir a sua candidatura. ''O partido, na reunião ordinária de ontem (segunda-feira), tomou como posição que iria continuar reivindicando a homologação da nossa candidatura. O PDT está manifestando à direção estadual o seu inconformismo e o partido está nos solicitando que recorramos a justiça.''
O presidente estadual do PDT, Nelton Friedrich, admitiu que ''houve uma clara colocação do deputado José Janene de que o fato de dois irmãos da mesma coligação para a mesma função, seria negativo''. ''A verdade é a seguinte: é um problema de família, houve consideração forte de que era muito complicado ter dois irmão concorrendo ao mesmo cargo.''
O deputado federal José Janene negou que tivesse interferido na escolha do candidato a Câmara. ''Imagina se eu vou dar palpite no partido dos outros, no meu partido decidi as candidaturas em convenção, e acredito que nos outros partidos também deva ser assim. Se o Nelton admitiu isso (veto) é porque é muito fraco, porque qual a densidade eleitoral que o Assad tem, é um candidato para mil, mil e quinhentos votos, eu estou fazendo campanha para 200 mil votos, qual o problema dele disputar ou não as eleições?'', ponderou Janene. Sobre o envio do fax, argumentado por Jannani, o presidente do PPB disse que não encaminharia um ''expediente que trata de um assunto interno do partido. Isso é campanha eleitoral, não é âmbito para administrar interesses familiares.''

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