O presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), Assad Jannani, deixa o cargo oficialmente hoje e deve se candidadar a prefeito pelo seu partido, o PPB. Jannani informou que a sua saída já estava programada e negou qualquer ligação com as eleições de outubro. Mas o deputado federal, José Janene, presidente estadual do PPB e irmão de Assad, confirmou a candidatura.
O atual diretor-executivo da Cohab, Agnaldo José da Rosa, será o novo presidente da Companhia. Ele toma posse amanhã, às 11 horas, durante solenidade na prefeitura. O novo presidente foi nomeado ontem mesmo pelo prefeito interino Jorge Scaff (PSB). A saída de Assad representa a primeira baixa no primeiro escalão municipal, depois do afastamento do prefeito Antonio Belinati (PFL), na semana passada.
Com a possível entrada de Assad na disputa eleitoral, o quadro sucessório de Londrina fica praticamente definido. Caso Belinati mantenha a decisão de não concorrer, os candidatos deverão ser o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB), o ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida (PMDB), o ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Farage Kouri (PFL), o ex-deputado federal Nedson Micheletti (PT) e o jornalista Barbosa Neto (PDT).
‘‘Sou apenas candidato a fazer casas, mas me realizo na função pública’’, tentou despistar Assad ontem, ao ser questionado sobre o lançamento de seu nome para a disputa de outubro. Ele disse que pretende se dedicar à consultoria na área habitacional. O projeto dele é repassar a experiência adquirida na Cohab, com o lançamento do projeto Renascer e Poupalar, para outros municípios. O programa mistura as características da caderneta de poupança, consórcio e títulos de capitalização.
‘‘Trata-se de um sistema criativo, onde se consegue captar dinheiro e ainda o apoio da iniciativa privada’’, definiu Assad. Ele explicou que pretende trabalhar no escritório montado em sua residência. Ontem à tarde, Assad entregou um relatório completo ao prefeito relatando as atividades da companhia.
Assad negou que sua saída tenha qualquer ligação com o afastamento de Belinati da prefeitura e com as críticas feitas ao programa Renascer por parte do Movimento pela Moralização na Política de Londrina e pelo Sindicato da Indústria na Construção Civil (Sinduscon). Na semana passada, o movimento e o Sinduscon formalizaram um pedido de investigações à Promotoria, alegando que o programa não tem condições de atender aos cerca de 26 mil mutuários. Quanto à sua saída do governo, Assad alegou que ela já estava programada desde março passado, quando o PPB decidiu deixar a administração.
Scaff voltou a afirmar que não pretende fazer alterações no primeiro escalão. ‘‘As coisas vão acontecer naturalmente, não vou precipitar nada’’, insistiu. Ele justificou que o exercício do cargo exige cautela porque existe a possibilidade de Belinati retornar através de alguma medida judicial.
‘‘Estou procurando evitar o andamento dos projetos que estão sendo desenvolvidos. Uma substituição agora só iria interromper o que está sendo feito. Por isso prefiro agir com ponderação’’, afirmou o prefeito interino.

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