Brasília - Sexto parlamentar condenado à prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) desde a Constituição de 1988, Asdrúbal Bentes (PMDB-PA) renunciou ontem ao mandato na Câmara dos Deputados. Com isso, ele evita responder a um processo de cassação. No início da tarde, ele circulou pelo plenário da Câmara com a carta de renúncia. Revisou o texto e pediu para assessores entregá-lo ao presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-PA), que oficializou a renúncia em plenário.

"Não me sinto à vontade e é um constrangimento para a Casa. O ato da renúncia é unilateral", disse. Ele explicou aos jornalistas que tomou a decisão para não constranger os outros congressistas, que poderiam abrir um processo de cassação contra ele. Para ele, o voto aberto em plenário exporia seus colegas. "Quando o voto era fechado, nem tanto. Mas com o aberto, sinto que causaria constrangimento a deputados que conviveram comigo por seis mandatos."

Bentes não quis subir à tribuna do plenário para fazer seu último pronunciamento. "Esta é a hora de agir com a cabeça e não com a emoção", disse e completou: "Não guardo mágoa, não guardo rancor, meu coração só guarda amor". O deputado contou que pretende pedir à Justiça para cumprir a pena em Marabá, no Pará, onde tem residência e um escritório de advocacia. Questionado se sairia da vida política, ele apenas respondeu: "Só o futuro dirá". No entanto, o deputado não pretende deixar o PMDB, do qual faz parte desde 1980.

Desde que teve sua condenação confirmada pelo STF, na semana passada, Bentes não participou de nenhuma votação na Casa. "Não me sentia preparado psicologicamente", disse. O deputado foi condenado pelo STF em 2011 e, na semana passada, os ministros rejeitaram recurso mantendo sua sentença de 3 anos e 1 mês de prisão, em regime aberto. Segundo o Ministério Público, ele pagou laqueaduras - cirurgia para que mulheres não possam mais ter filhos - em troca de votos nas eleições municipais de 2004. Ele também foi denunciado por compra de votos, mas o crime prescreveu.

Na prática, ele terá de ficar em casa nos fins de semana e feriados e entre as 21 horas e as 5 horas nos dias úteis. Bentes foi pressionado por colegas a renunciar ao cargo seguindo decisão dos quatro deputados condenados pelo STF no julgamento do mensalão, quando houve o pedido de prisão.

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