Às vésperas de votação, petista aumenta corpo a corpo com base
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quarta-feira, 13 de abril de 2016
Gustavo Uribe<br>Folhapress 
Brasília - Com a perda de apoios no PP e no PSD, a presidente Dilma Rousseff (PT) decidiu assumir a linha de frente da estratégia do Palácio do Planalto para barrar o processo de impeachment no plenário da Câmara dos Deputados.
A intenção é receber até o próximo domingo deputados federais de todos os partidos da base aliada, sobretudo os indecisos ou que têm possibilidade de mudança de posição na reta final.
Segundo o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, a petista já se reuniu com líderes partidários ontem e fará novos encontros com parlamentares "que querem a opinião e os argumentos da presidente".
Às vésperas da votação, a estratégia do Palácio do Planalto é aumentar a dissidência em legendas como PP, PSD e PMDB e evitar que o PR feche questão a favor do impeachment da presidente.
"A presidente está procurando pessoas que querem ouvir a sua opinião e seus argumentos. E está buscando conversar com grupos de deputados federais. Nós vamos continuar esse trabalho intensivamente até o domingo", disse Berzoini.
Segundo ele, os três ministros do PMDB que detêm mandatos na Câmara dos Deputados - Celso Pansera (Ciência e Tecnologia), Marcelo Castro (Saúde) e Mauro Lopes (Aviação Civil)- se licenciarão hoje para participar da votação.
A decisão do PP de fechar questão sobre o impeachment pegou a presidente de surpresa e mudou o humor do governo, que passou a temer a possibilidade do impeachment ser aprovado no plenário da Câmara dos Deputados.
Nas palavras de um assessor presidencial, o "quadro mudou" e o cenário "voltou a ficar indefinido" com a possibilidade de um resultado apertado no domingo.
A projeção realista que era feita na segunda-feira era que o governo obteria entre 190 e 200 votos. Com o PP majoritariamente fechado a favor do impeachment, o cálculo passou para cerca de 180 votos, próximo ao limite para barrar o processo de impeachment.
PTB sai
O PTB anunciou que também vai orientar sua bancada contra a petista na votação do processo no domingo. Após reunião ontem, apenas quatro dos 19 deputados defenderam manter o apoio a Dilma. A direção do partido, já informada do resultado, se reúne hoje, para definir um posicionamento geral. Ainda não há definição se haverá fechamento de questão, mas a tendência é não haja punição a nenhum membro da sigla que, por questões regionais, decida votar com o governo.
PDT fica
O líder da bancada do PDT na Câmara, deputado federal Weverton Rocha (PDT-MA), anunciou ontem que o partido fechou questão e orienta o voto contra o impeachment da presidente Dilma. Indagado pelos jornalistas se haverá punições a eventuais dissidentes, Rocha afirmou que, em maio, o diretório nacional estará reunido e poderá analisar as consequências.
NANICOS
Os chamados "partidos nanicos" da Câmara deverão anunciar hoje apoio ao impeachment da presidente Dilma. Com 33 deputados, o grupo é formado por Pros, PEN, PHS, PSL e PTN. "Já temos garantidos de 25 votos a favor do afastamento da Dilma", afirmou a deputada Renata Abreu (PTN-SP). Segundo a parlamentar, o objetivo do grupo é conseguir 27 dos 33 votos. O Palácio do Planalto contava com os votos do PTN, pois o líder da bancada, Aluisio Mendes (MA), havia indicado recentemente o novo presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). "O Aluisio continua com o governo", afirmou Renata Abreu.
QUEM VOTA PRIMEIRO
O deputado Weverton Rocha (PDT-MA) voltou a recorrer ao Supremo Tribunal Federal ( STF) ontem para tentar impedir que a votação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff pelo plenário da Câmara comece por deputados do Sul do país. Na ação, o deputado questiona decisão do ministro Edson Fachin que rejeitou a concessão de uma liminar (decisão provisória) para determinar que a votação comece por deputados do Norte do país. Weverton questiona entendimento do ministro de que as regras são questões internas. Fachin disse que havia uma tentativa de controle prévio.
O documento aponta ainda que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atua para criar uma onda a favor do impeachment. "A finalidade do senhor presidente da Câmara dos Deputados é nitidamente constranger os deputados não alinhados às suas preferências políticas", diz.
O presidente da Câmara confirmou ontem que a votação do pedido de impeachment começará pelos deputados da Região Sul. O Nordeste e o Norte, regiões onde a petista teria maior apoio, ficarão para o final. (Com Agência Estado)


