Brasília - O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou na terça-feira (13) uma mudança significativa em seu posicionamento político: ele passará a votar a favor da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que estabelece o fim da jornada de trabalho no modelo 6x1 (seis dias de trabalho para um de descanso).

Após ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, a matéria está em discussão no plenário da Casa e tem votação em primeiro turno prevista para quarta-feira (14).

Anteriormente crítico da proposta — a qual classificava como rígida e prejudicial à livre negociação entre patrões e empregados —, o parlamentar redefiniu sua postura pública, um dia antes de a matéria entrar na pauta do plenário do Senado para votação em primeiro turno.

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PROPOSTA DE MUDANÇA

“Eu estou rodando o Brasil. A maioria dos trabalhadores quer o fim da 6x1. Vou votar a favor do fim da 6x1, mas a gente defende algo ainda melhor, sempre”, afirmou Flávio Bolsonaro, que ficou em primeiro lugar no primeiro turno das eleições presidenciais com 47,03% dos votos válidos (56,1 milhões) contra 45,16% (53,8 milhões) do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A votação do segundo turno acontece no próximo dia 25.

Mesmo com o recuo, o candidato manteve ressalvas econômicas ao projeto. Flávio ressaltou receio de que o texto amplie os custos empresariais e cause aumento da informalidade, sugerindo que, caso eleito, o governo federal proponha mecanismos para compensar eventuais custos aos empregadores.

POR QUE O SENADOR MUDOU DE IDEIA?

Análises de bastidores e dados do cenário político apontam que a guinada no discurso do parlamentar envolve uma combinação de fatores estratégicos e eleitorais.

1. Pressão do eleitorado e cálculo eleitoral

A proposta de fim da escala 6x1 conta com expressivo apelo e adesão populares. Em meio a uma disputa eleitoral acirrada para a Presidência, manter uma posição abertamente contrária à redução de jornada trazia alto risco de desgaste e perda de votos, em especial entre a classe trabalhadora urbana.

2. Acomodação de discursos no próprio grupo aliado

A pauta do fim da escala 6x1 furou a bolha ideológica e encontrou apoio em setores da própria base conservadora. Figuras públicas e aliados de peso vinham cobrando um aceno positivo da candidatura de oposição para evitar dar monopolização da pauta social aos seus adversários.

3. Alinhamento e orientação política

O anúncio de voto favorável ocorreu após a liberação e realização da primeira visita presencial de Flávio Bolsonaro ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. A reunião alinhou estratégias de comunicação e fortaleceu a busca por um tom mais flexível para atrair o eleitorado indeferido e de centro.

4. Controle de danos e estratégia de narrativa

Ao recuar e declarar apoio à aprovação da PEC, a equipe do candidato tenta esvaziar um dos principais pontos de ataque da oposição, ao mesmo tempo em que tenta reorientar o debate para a defesa da flexibilização e da liberdade de negociação de contratos por hora trabalhada.

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