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Curitiba - O ex-governador do Paraná Orlando Pessuti (PMDB) anunciou ontem que desistiu de disputar o governo do Estado e que irá trabalhar pela coligação do PMDB com o PSDB do governador Beto Richa, pré-candidato à reeleição. O político disse que tomou essa decisão porque não conseguiu reunir apoio suficiente para vencer a convenção estadual da legenda, marcada para a próxima sexta-feira, às 9 horas, em Curitiba. Na ocasião, os mais de 500 delegados decidirão entre a aliança e a candidatura própria, no caso do senador Roberto Requião (PMDB).

Pessuti estima contar com os votos de 20% a 25% dos delegados do partido, contra 40% de Requião e 40% a 45% dos deputados estaduais, o que na nova configuração deixaria o senador em desvantagem. "Se pessoalmente não reúno esse apoio, entendo que deva atender ao apelo que me foi feito pelos deputados estaduais do nosso grupo, o PMDB para todos, em documento assinado no dia 9 de junho", afirmou, durante entrevista coletiva na Assembleia Legislativa (AL). Além dos integrantes da bancada, acompanharam o discurso o deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), que preside a sigla no Estado, e o líder do governo na Casa, Ademar Traiano (PSDB).

O secretário-geral do PMDB paranaense também falou que estuda concorrer ao Senado, como candidato avulso, alternativa que vinha sendo defendida pelos peemedebistas da AL. A outra hipótese debatida é ele ser o vice na chapa encabeçada por Beto. O posto, contudo, também é almejado por Serraglio e pelo deputado estadual Caíto Quintana, hoje preferido entre os colegas de bancada.

No primeiro caso, conforme publicado na edição de ontem da FOLHA, a aliança com os tucanos valeria apenas para as eleições proporcionais – à Câmara dos Deputados e à AL - e para o Palácio Iguaçu. Para o Senado, como há somente uma vaga em disputa, o PMDB trabalharia individualmente por Pessuti e o PSDB por Alvaro Dias.

"Vamos fazer uma avaliação e verificar se tenho o mínimo de condições de ir para esse enfrentamento. Nós (Pessuti e Alvaro) seríamos dois tigres disputando a mesma caça, que é o voto, no mesmo capão", declarou Pessuti. Para Traiano, que se referiu ao apoio do PMDB como "uma conquista", a decisão quanto à vaga é uma questão interna do PMDB. "Não podemos proibir essa possibilidade. Ela existe e se for uma decisão do partido tem de ser respeitada."

Um dos poucos a defender publicamente a candidatura de Requião, o deputado Anibelli Neto se disse decepcionado com a decisão do "amigo Pessuti". "Fico triste pela história dele, pela biografia. Mas a gente continua na linha da coerência. Temos certeza que vamos ganhar a convenção. Já fizemos 30 reuniões no Paraná e onde eu vou a base quer a candidatura própria."

Desafeto
A coletiva de Orlando Pessuti foi repleta de alfinetadas a Requião, de quem ele é desafeto desde 2010. Naquele ano, o hoje senador renunciou ao cargo de governador para disputar ao Senado. Na condição de vice-governador, Pessuti assumiu o Executivo estadual e almejava concorrer à reeleição, mas não contou com os apoios nem de Requião, nem do diretório nacional do PMDB, controlado pelo vice-presidente da República, Michel Temer.

"Estou fazendo o mesmo que ele fez comigo. Se entendeu que eu não merecia o apoio dele, eu também entendo que ele não merece o meu neste momento", disparou. "Vejo que a candidatura do Requião é mais um projeto pessoal do que qualquer outra coisa", completou.

No final do dia de ontem, Requião publicou mensagens em sua conta no Twitter com críticas à decisão de Pessuti. "PMDB sairá depurado e fortíssimo da convenção do dia 20, livre do adesismo e da fisiologia", escreveu.

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