As principais batalhas que o governo vai enfrentar nas votações dos destaques à reforma administrativa e a estratégia contra a oposição:
-DVS 9 - Retira do substitutivo aprovado a figura do emprego público, que vai permitir ao governo contratar pessoal por meio de regime mais flexível, sem as exigências atuais. O mesmo DVS mantém na Constituição o regime jurídico único (RJU) dos servidores.
Autor - Bloco PT-PDT-PC do B.
Estratégia do governo - Este é o primeiro destaque polêmico que exigirá do governo a maioria de 308 votos para vencer a oposição. Se não sentir segurança em sua base de apoio, o governo poderá adiar esta votação com um pedido de preferência para destaques menos importantes.
-DVS 15, 16 e 17 - Os três têm a mesma finalidade: acabar com a possibilidade de governos fixarem, por lei, subteto salarial. Os próprios aliados do governo encamparam os destaques, atendendo ao lobby do Judiciário, que perderia para os governadores a autonomia sobre os seus salários.
Autores - PFL, PSDB e PSB.
Estratégia- Como não tem maioria para derrubar o destaque, o governo negocia uma emenda que manterá o subteto, mas sem interferência de um Poder em outro. Ou seja, o subteto para juízes só poderá ser fixado pelo próprio Judiciário.
-DVS 24 - Acaba com os contratos de gestão em órgãos da administração direta, criados pelo relator Moreira Franco para dar autonomia a esses setores.
Autor - Bloco PT-PDT-PC do B.
Estratégia - O governo ainda não sabe como colocará 308 votos no placar. Sem acordo, terá de arriscar a sorte no plenário.
-DVS 27 e 28 - Derrubam a proibição de incorporar gratificações e vantagens aos vencimentos dos servidores públicos e acabam com a paridade de remunerações entre ativos e inativos.
Autor - Bloco PT-PDT-PC do B e PPB
Estratégia - Esta é uma das principais bandeiras do aliado PPB. Como o governo não tem amplo apoio da base para derrubar o destaque com os 308 votos necessários, negocia com o PPB um texto alternativo que garantiria aos aposentados os mesmos reajustes dados aos ativos.
-DVS 37 - Retira do substitutivo a aposentadoria compulsória aos 75 anos de idade. A Constituição prevê 70 anos.
Autor - PFL
Estratégia - O governo prevê derrota nesse ítem, já que um de seus principais aliados, o líder do PFL, Inocêncio Oliveira, e boa parte do PMDB são contrários ao aumento da idade para aposentadoria compulsória.
-DVS 40 - Derruba a quebra da estabilidade prevista no relatório, suprimindo os dispositivos que permitem demissão de estáveis por insuficiência de desempenho e por excesso de quadros.
Autor - Bloco PT-PDT-PC do B
Estratégia - Governo tentará ganhar tempo para conquistar votos em sua base, adiando essa votação o quanto puder
-DVS 43 - Derruba o dispositivo que prevê lei da União para aumentar a participação do Banco Central na fiscalização do endividamento público. O substitutivo aprovado retira do Senado a prerrogativa de dar a última palavra na questão da endividamento dos Estados e municípios.
Autor - PMDB
Estratégia - Por causa da reação do Senado, o próprio relator recuou e seu partido endossou o DVS. O governo não vai lutar para derrubar esse destaque e, em compensação, tem acordo para aprovar uma emenda pela qual o Senado autorizará os limites de endividamento, mas com base em proposta do Banco Central.
-DVS 50 e 52 - Derrubam a proibição de repasse de recursos federais para Estados e municípios cumprirem compromissos com as despesas de pessoal. O DVS 52 derruba ainda o ítem que suspende, a partir de 1º de janeiro de 1999, todos os repasses a Estados e municípios que não ajustarem seus gastos com pessoal a 60% de sua receita líquida.
Autores - PPB e bloco PT-PDT-PC do B.
Estratégia - Também nesses DVS o governo terá o ônus dos 308 votos e não tem estratégia para derrubar os destaques.

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