Para o professor de Ética e Filosofia Política da UEL Clodomiro Bannwart, o que se tem visto nessas eleições é uma segmentação por meio de núcleos, ou como definiu, "bolhas de Whastapp", com grupos fechados munidos de discursos previamente prontos. "Esse discurso é alimentado muitas vezes por notícias falsas, frases e imagens que não permitem a formulação de um elemento crítico, um elemento reflexivo sobre todo o contexto que envolve a política. Estamos aleijando o essencial da democracia, que é o debate, o diálogo, a possibilidade de haver divergência pública", afirma.

Bannwart acredita que a democracia vive onde os cidadãos podem formar a opinião, "justamente nessa divergência, contrastando um argumento com outro, formando uma opinião minimamente crítica em relação ao momento que estamos vivenciando".

O psicoterapeuta Sylvio Schreiner concorda. Para ele, as mudanças de relações, da família e do trabalho despertaram ódio que enfraquece o debate democrático e "utiliza qualquer coisa como pretexto de ataque ao outro". "Usa-se de uma ideia valorizada para justificar o ódio e uma agressividade que as pessoas não estão dando conta", resume.

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CABO DE GUERRA
O representante de Jair Bolsonaro em Londrina, o deputado federal eleito Filipe Barros (PSL), Filipe Barros entende que as mídias sociais têm um papel fundamental nas eleições e que lá o capitão da reserva ganhou grande respaldo e apoio popular. Ele argumenta que o risco à democracia está no ponto de que "Haddad é o poste do Lula. Quem de fato governaria o Brasil não é ele, mas sim um presidiário".

A coordenadora do PT na cidade, Márcia Lopes, afirma que políticas públicas estão passando por retrocessos e que as falas do presidenciável do PSL colocam em risco a participação em conferências e conselhos. "A não participação em conferências, conselhos, como o ambientalista Acordo de Paris. É lamentável que a gente corra esse risco. Mas acredito que vamos virar o jogo", expôe.

NAS RUAS
A reportagem se encontrou com apoiadores de Haddad e Bolsonaro nas ruas de Londrina. A consultora de vendas Sara Ferreira afirma que o Whatsapp virou um campo de batalha e conta que votará no Bolsonaro. "Não porque sou a favor dele, mas porque o PT já está há muito tempo no poder e não fez nada". Ferreira diz não postar nada de política nas redes porque "detesta essas coisas, dá uma brigalhada". Ela e sua colega de trabalho, Gislaine Silva, que diz que anulará o voto, contam de uma companheira que excluiu o grupo da família, que era unida, por causa de política. Ambas acreditam que a falta de debate televisivo no segundo turno prejudica as eleições.

A farmacêutica Janaína Valéria Fabrício afirma que debate política nas redes sociais. "A gente tem que ter contato com quem tem opiniões diferentes para formar nossa própria opinião", conta. Ela, que declarou voto em Haddad, diz ver muita intolerância nas redes. "Não excluí ninguém [das redes], o fato da pessoa ter posição diferente da minha não a torna minha inimiga. Até então não excluí ninguém, nas é necessário ter respeito", garante.

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