Integrar a cultura com a educação, como as artes plásticas, a dança, o teatro e a música – só para citar os exemplos mais comuns – e aproximá-las ainda mais da população carente. Esta deve ser uma das principais tarefas do próximo prefeito de Curitiba na área cultural. Na opinião de artistas e produtores locais ouvidos pela Folha, ‘‘educar pela arte’’ também pode trazer inúmeros benefícios sociais. ‘‘A comunidade tem que conhecer e respeitar a arte. Quem sabe ouvir uma boa música, por exemplo, vai se comportar melhor na sala de aula’’, indica Erineide Zanchetini.
A família dela atua com projetos comunitários envolvendo a arte do circo há mais de 20 anos na Capital. Por isso, ela acredita que investir, como diz o chavão, ‘‘onde o povo estᒒ, é a melhor proposta para uma política cultural série e eficiente. Na opinião de Erineide não é paternalismo, mas sim ‘‘obrigação’’ do governo incentivar a cultura através de leis de isenções fiscais. ‘‘A lei que temos é muito boa e até serve como um meio de sobrevivência para alguns setores da classe artística’’.
A lei municipal de incentivo à cultura foi instituída em 1993 e garante descontos nas dívidas tributárias de empresários que investirem (até 20% do valor dos impostos devidos) em projetos culturais. Em sete anos a renúncia fiscal do município em benefício dos 806 projetos aprovados até quinta-feira passada já ultrapassou a soma de R$ 4,4 milhões.
‘‘Não basta termos a lei, é preciso que a prefeitura faça o empresariado conhecê-la melhor’’, sugere Werinha Walflor, produtora de espetáculos há 30 anos.
Ela também afirma que, juntos, prefeitura e artistas podem incrementar a formação cultural e educacional das crianças e adolescentes. ‘‘Precisamos formar platéias porque as crianças da periferia têm vergonha de vir ao teatro. Temos, então, que levar o teatro para educar culturalmente as estudantes desde pequenos. Formar platéias e unir a cultura com o lado social’’, salienta.
Werinha lembra que a política cultural do município não tem sido vista ‘‘como deveria ser’’ nos últimos anos. ‘‘O talento da casa não é reconhecido. É preciso que tenhamos uma rotina de projetos culturais. O governo municipal poderia comprar cotas de ingressos de espetáculos para facilitar o acesso das pessoas mais carentes’’, opina.
Atriz há 40 anos e produtora de teatro infantil há quinze, Regina Vogue diz que Curitiba precisa se tornar a ‘‘capital cultural’’ do Brasil. ‘‘Cadê o apoio para termos mais espaços culturais?’’, cobrou. Regina acha ‘‘fantástica’’ a lei de incentivo à cultura porque, segundo ela, não ajuda somente a empregar artistas mas também o ‘‘lado social’’ da cidade. ‘‘Quem se beneficia mais é a população. Mas ainda falta um empurrãozinho para a gente ter mais investimentos na área’’, indica.
A produtora gostaria que houvesse ‘‘muita preocupação’’ do próximo prefeito de Curitiba com as crianças. ‘‘Cultura e educação tem que andar juntas.’’ Werinha concorda. ‘‘Com a arte nas escolas, em qualquer momento, estaremos aguçando as crianças a sentir o outro lado da vida’’, acredita.

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