Curitiba – Os artistas que ocuparam, desde a semana passada, a sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no bairro Juvevê, em Curitiba, disseram que só pretendem deixar o local após a saída do presidente interino Michel Temer (PMDB-SP). Eles estão dormindo em barracas, colocadas no pátio do instituto. Os manifestantes se revezam para que o espaço esteja sempre ocupado. Participam ativamente da manifestação cerca de 200 artistas, sendo que 40 dormem no Iphan. O grupo, que faz parte do coletivo MinC Resiste Curitiba, partiu para a ocupação após o anúncio de Temer de extinguir o Ministério da Cultura (MinC) e deixá-lo novamente a cargo da pasta da Educação, que voltará a ser chamada de Ministério da Educação e Cultura (MEC). O MinC foi criado em 1985.
Uma das organizadoras do coletivo MinC Resiste, Jessica Candal, disse que o apoio da sociedade está sendo muito bom, tanto que no domingo à tarde cerca de duas mil pessoas, segundo os organizadores, estiveram em frente à sede do Iphan, depois de participarem de um protesto na Praça Santos Andrade e seguirem em passeata até a ocupação. O instituto foi escolhido porque é o único órgão ligado ao MinC com sede na capital paranaense. Jessica frisou que o Resiste MinC partiu para a ocupação por rejeitar a fusão das duas pastas e por considerar ilegítimo o governo Temer.
Os artistas consideram que tanta a cultura quanto a educação perdem com a fusão dos dois ministérios. "Defendemos a comunicação entre esses dois setores porque eles realmente são muito afins. Mas defendemos que essa comunicação seja em igualdade institucional. Um órgão institucional para cuidar da cultura e um órgão institucional pra cuidar da educação. É importante que cada um tenha o seu valor institucional garantido", explicou. Na opinião do coletivo, ao juntar as duas pastas, o dinheiro, que já era pouco para cultura, vai ficar ainda menor.
Jessica lembrou que o MinC "não é um órgão que serve para dar dinheiro para artista. Ele pode ter sido usado para isso em governos anteriores", alfinetou. Mas, segundo ela, uma das grandes atribuições do Ministério da Cultura foi a criação do Plano Nacional de Cultura, que estabeleceu políticas públicas não só para incentivar as artes já estabelecidas, como dança, teatro e cinema, mas também aquelas que seguiam marginalizadas, como as culturas indígena, afro e hip hop.
O superintendente substituto do Iphan em Curitiba, José Luis Lautert, ressaltou que a ocupação dos artistas é pacífica e que eles acamparam apenas no estacionamento do órgão e não invadiram a sede. Segundo ele, o Iphan e a Polícia Federal (PF) estão acompanhando o protesto e por orientação da Advocacia Geral da União (AGU), eles não estão interferindo, "Enquanto estiver pacífico, nós não vamos interferir. A ideia é evitar conflitos", argumentou.

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