Artista plástico ajudou auditor a lavar dinheiro, aponta Gaeco
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quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Loriane Comeli<br> Reportagem Local 
Conhecido internacionalmente pela confecção de peças decorativas em alumínio e outros materiais, o artista plástico londrinense Sarquis Sâmara é apontado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina como um grande sonegador de impostos e como um importante auxiliar do auditor José Luiz Favoreto Pereira na lavagem de dinheiro oriundo de propina obtida do achaque a empresários da região.
Sâmara, dono da Duorum Home & Gift, importadora de artigos de decoração, que fica no Parque das Indústrias Leves (zona leste de Londrina), e de outras cinco empresas (algumas em nome de "laranjas"), está preso desde quinta-feira passada, em decorrência de seu envolvimento com Favoreto, na terceira fase da Operação Publicano, que investiga um esquema de corrupção na Receita de Londrina. O artista plástico foi detido em um spa em Sorocaba, no interior paulista. Sua mulher, Marilúcia dal Ross Sâmara, também é apontada com integrante do esquema de sonegação e lavagem de dinheiro e está foragida.
O promotor Jorge Barreto da Costa, coordenador do Gaeco, escreve no pedido de prisão e de medidas cautelares (sequestro de bens e quebra de sigilo) dos investigados na terceira fase da Publicano, que a partir das investigações feitas nos últimos meses "restou constatado que o esquema criminoso engendrado pelo empresário Sarquis José Sâmara remontou em milhões de reais de prejuízo ao Estado do Paraná em sonegação fiscal, além de ter restado comprovado que ele contribuiu eficazmente para a lavagem de dinheiro do auditor fiscal José Luiz Favoreto Pereira".
Uma das empresas do artista registrada em nome de "laranja" é a Ivonete Pereira Meireles Marinho ME. Segundo o Gaeco, o setor de auditoria do Ministério Público apontou "fortíssimos indicativos" de sonegação fiscal pela empresa, que está em nome de uma funcionária de Sâmara.
Um dos réus colaboradores da investigação, o contador Hederson Bueno, irmão do auditor Marco Antonio Bueno (réu nas duas primeiras fase da operação) e cunhado de Luiz Antonio de Souza, principal delator do esquema, fazia a contabilidade para as empresas de Sâmara. Em depoimento, afirmou aos promotores que a empresa Ivonete foi aberta com a finalidade de redução de tributos, "já que compra por meio de uma empresa e vende por intermédio de outra".
Também assegurou no depoimento prestado no final de março que apenas a empresa Ivonete teria sonegado aproximadamente R$ 20 milhões em tributos municipais, estaduais e federais entre 2010 a 2015 e que o artista plástico "contava com a proteção de Luiz Antonio de Souza e de Favoreto" para que suas empresas não fossem fiscalizadas pela Receita. "Denota-se", escreve o promotor, "que a sonegação fiscal realizada pelo empresário Sarquis Sâmara não era apenas descarada, mas plenamente acobertada". A auditoria do MP apontou indícios de sonegação também na principal empresa do grupo, a Duorum.
Em contrapartida, o empresário aceitava usar suas empresas para lavar dinheiro de Favoreto. A investigação apontou que a empresa de fachada de Favoreto, a PFPJ (registrada em nome de seu irmão e e de sua cunhada), emitiu quase R$ 200 mil em notas frias para a Ivonete que, posteriormente, transferiu mais de R$ 400 mil para a empresa "fantasma" do auditor, usada para lavar dinheiro.
No pedido de prisão, o promotor ainda aponta que após a deflagração das operações do Gaeco, Sâmara "tentou ocultar parte do patrimônio fruto da lavagem de dinheiro praticada em conjunto com o auditor Favoreto". Explicou que um veículo BMW comprado por R$ 165 mil pelo irmão de Favoreto, Antônio Pereira Júnior, com dinheiro proveniente da PFPJ, foi vendido, em janeiro de 2015, para Sâmara e colocado em nome da empresa Ivonete. Posteriormente, esse veículo foi transferido para João Cândido Pereira Neto, considerado pelo Gaeco como "sócio-laranja" da empresa J.C. Pereira Neto & Cia Ltda., outra empresa do artista plástico. A reportagem não conseguiu contato com os advogados do casal Sâmara.


