Brasília - O ministro da Casa Civil, José Dirceu, transmitiu o cargo de articulador político do Palácio do Planalto ao novo ministro Aldo Rebelo (PC do B-SP), ontem, saudando as qualidades do Parlamento brasileiro e dividindo com o Congresso as vitórias obtidas pelo Executivo até agora. ''2003 foi um ano vitorioso para o governo, mas não o seria sem o apoio dos presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP)'', disse Dirceu, para emendar com mais elogios: ''O País é devedor do Congresso Nacional e o povo brasileiro pode sentir orgulho do nosso Parlamento''.
Diante de uma platéia que reuniu quase todos os ministros de Estado, governadores, presidentes de partido, sindicalistas e empresários, o ministro fez questão de lembrar que, em apenas um ano, o Congresso aprovou não só as reformas previdenciária e tributária, como importantes leis.
Ao anunciar que deixará a tarefa da coordenação política ''em mãos humanas de um militante político que tem história no País e mais condições de exercer o cargo que eu'', Dirceu também fez seu agradecimento ao substituto e aos demais líderes governistas. ''Jamais teria conseguido exercer esta tarefa quase impossível da coordenação política e da coordenação de governo, sem a ajuda dos líderes do governo no Senado, Aloízio Mercadante (PT-SP), no Congresso, senador Amir Lando (PMDB-RO), que agora assume o comando do ministério da Previdência, e de Aldo Rebelo. Ele desejou boa sorte a Rebelo e ofereceu seu apoio. ''Conte comigo na retaguarda serena e segura''.
Na mesma linha, Rebelo assumiu com agradecimentos não só aos presidentes das duas Casas do Legislativo, como aos líderes de partidos aliados e até adversários do governo.
Rebelo aproveitou o discurso para dar seu testemunho de que todos os líderes sempre encontraram no ministro Dirceu uma figura aberta ao debate. E saudou a ''firmeza e tolerância'' com que seu antecessor comandou as articulações políticas do governo tanto nas vitórias quanto nos momentos de muita tensão e expectativa.
Como representante do pequeno PC do B no Planalto, Rebelo atribuiu sua presença no governo a um ambiente democrático novo por que passa o Brasil. Segundo ele, repetem-se agora as alianças amplas entre forças heterogêneas só registradas na história política brasileira em momentos de transição e ruptura, que começaram com a independência de Portugal e passaram pela abolição da escravatura e revoltas como a sabinada e cabanagem.
O novo ministro disse que a política é uma das formas para o governo e o País superarem o atraso econômico e social e retomar o crescimento, o desenvolvimento, a justiça social e a criação de empregos. Segundo ele, a melhora dos quadros econômico e social só pode ser feita por meio da política.
Ontem também foi a vez do novo ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, tomar posse na vaga de Roberto Amaral.

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