Brasília No governo Fernando Henrique Cardoso, ele era o tucano que sempre defendia o presidente e falava tudo o que pensava, nem sempre na hora e no tom certo. Agora, na oposição, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), parece ter encontrado seu papel ideal e se destaca entre os adversários que mais incomodam os petistas.
É dele, por exemplo, o ''conselho'' para que o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, ''pare de agir como quem ainda não sabe se vai ou não conceder a audiência pedida por Deus''. Ou ainda para que o presidente Luiz Inácio da Silva ''deixe de lado uma certa crise de autoridade e não fale mais sobre o que não deve e do que não entende''.
Na semana passada, Virgílio surpreendeu o governo, ao obter as assinaturas necessárias para criar a CPI que investigará o Movimento dos Sem-Terra (MST). E com a verve habitual chicoteou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ter vestido o boné do movimento: ''Aquilo, longe de parecer espírito democrático, demonstrou fraqueza, falta de senso, foi o retrato da impotência do governo diante de um MST que desafia as autoridades do governo todos os dias.''
Ao mesmo tempo em que critica Lula, o líder diz que o presidente é ''uma figura adorável, estimada por cada um de nós, estimada pessoalmente por mim''. E embora seja um grande defensor do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, Virgílio acha que já está passando da hora de os juros caírem pelo menos dois pontos percentuais.
Pit bull - Duro no plenário, Virgílio é agradável no trato pessoal. Pelo menos é assim que o vice-presidente do Senado, Paulo Paim (PT-RS), o descreve. ''Ele tem posições firmes, mas ao mesmo tempo é fraterno, gentil com os adversários'', diz Paim, atribuindo essas características à passagem do tucano pelo Itamaraty.
Visto como comandante da tropa governista durante a gestão tucana, Virgílio jamais recusou uma briga política a ponto de ficar conhecido como ''pit bull''. O líder do PFL no Senado, José Agripino (RN), elogia ''a coerência'' do tucano, mas tem dúvidas quanto à eficiência do seu modo de agir. ''Do ponto de vista pragmático, ele não faz o meu estilo'', alega.
Como filho de uma família de político, terminou ''contagiado'' em 1979, quando disputou a primeira eleição de deputado federal e ficou na suplência. Desde então, exerceu três mandatos na Câmara, foi prefeito de Manaus e secretário-geral da Presidência da República. Da curta passagem pela diplomacia, onde chegou a primeiro-secretário, ficou a fluência em inglês e francês. ''Eu não sei falar para dentro, não seria um bom diplomata'', alega.
No futuro, ele não descarta disputar o governo do Amazonas, embora afirme que se sente bem na política nacional e, quem sabe, uma nova parceria com Fernando Henrique de volta à Presidência. ''Se ele tiver vontade e saúde, eu não vejo ninguém melhor'', justifica. Sobre suas desavenças com os petistas, Virgílio afirma que faz apenas sua obrigação, ''de fiscalizar para tentar melhorar''.

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