Arruda não convence e se complica mais
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de abril de 2001
Doca de Oliveira Agência Estado De Brasília 
O senador José Roberto Arruda (sem partido-DF) desmentiu ontem o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), afirmando que agiu em nome do ex-presidente do Senado, tentou minimizar a gravidade da violação do painel de votação, tentou transferir a responsabilidade inteiramente para a ex-diretora do Prodasen, Regina Borges, mas foi traído pela confirmação de uma ligação da ex-funcionária para o seu telefone celular na manhã em que o Senado cassou o mandato de Luiz Estevão, em junho de 2000.
Os argumentos do senador não convenceram seus colegas e complicaram ainda mais sua situação. A de ontem foi a sua terceira versão sobre o caso. Diante do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, em um depoimento de sete horas e meia, Arruda afirmou ter cometido apenas um deslize regimental, que não deveria colocar em risco o seu mandato. Eu não roubei, não desviei dinheiro público, disse, num recado velado ao presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA).
Persistem contradições importantes, definidoras, reagiu o senador Roberto Saturnino Braga (PSB-RJ), relator do processo por quebra de decoro parlamentar. Estamos diante de um autêntico samba do crioulo doido, existe apenas um vilão, que é a Dona Regina, ilustrou, com ironia, o senador Jefferson Peres (PDT-AM). Ela deve ir para uma penitenciária ou clínica psiquiátrica, acrescentou, indignado. O senhor deveria reconhecer que foi grave e ter o cuidado de não parecer que quer levar a responsabilidade para o mais fraco, sugeriu Pedro Simon (PMDB-RS).
Só o encontro com a verdade liberta, mesmo que tardio, endossou seu ex-colega de partido, Lúcio Alcântara (PSDB-CE). Uma primeira versão existiu, mas não está se constatando, emendou o senador Casildo Maldaner (PMDB-SC). Não há dúvidas de que é diferente ordenar, consultar e pedir, os depoimentos são diferentes, constatou Osmar Dias (PSDB-PR).
No enredo que apresentou ontem, Arruda contou que o ex-presidente do Senado teria lhe pedido que consultasse o Prodasen sobre o grau de segurança do painel de votação, autorizando o uso do seu nome. O clima era de muita tensão e boato, havia um choque político, uma beligerância aberta, lembrou, para dizer que ACM estaria preocupado com boatos de que o painel de votações seria violável. Esse negócio, todo mundo fica sabendo, o Prodasen deve saber na hora, teria dito o senador baiano, segundo seu relato. Você, que é engenheiro, devia saber. Por que não pergunta para a Regina como funciona?, emendou.
Posso falar com ela em seu nome?, teria perguntado Arruda, de acordo com o relato de ontem. Pode, ouviu em resposta. Ele garantiu não ter tomado nenhuma iniciativa imediatamente e não soube precisar em que dia conversou com Regina Borges. Na minha lembrança não foi na véspera, pode ter sido no dia 26, comentou, em um dos desmentidos que fez à versão da ex-diretora do Prodasen.
Em sua confissão e depoimentos, Regina garantiu ter sido chamada à sua casa na véspera da cassação de Luiz Estevão. Segundo Arruda, ao recebê-la em seu apartamento, perguntou-lhe se ela teria conhecimento dos boatos que corriam no Senado de que o painel de votações era violável. Quando a votação é secreta, vocês sabem?, perguntou. O senador ACM quer saber se isso é possível ou não, acrescentou. Eu vou saber e te falo, teria reagido a funcionária.


