Agência Estado
De São Paulo
O líder do governo no Senado, o tucano José Roberto Arruda (DF), e o secretário-geral do PSDB, Márcio Fortes, rejeitaram ontem as críticas feitas pelo ex-ministro das Comunicações e vice-presidente nacional do partido para Assuntos de Política Econômica, Luiz Carlos Mendonça de Barros, à política econômica do governo. Segundo Arruda, Barros está errado ao dizer que o Plano Real é uma ‘‘derrota parcial’’ do governo. ‘‘O pensamento dele não representa a opinião do partido’’, declarou Arruda. ‘‘Eu sou tão vice-presidente quanto ele e penso diferente’’, disse.
Na avaliação de Arruda, a partir do próximo ano, o Brasil terá um cenário econômico positivo. ‘‘A política econômica não está com os dias contados’’, afirmou. Segundo Fortes, as opiniões manifestadas pelo vice-presidente do PSDB não refletem uma posição do partido. ‘‘A posição é exclusivamente dele.’’
Fortes disse que Barros nunca levou as opiniões para discussão na executiva do PSDB. Por isso, o partido não se manifestará a respeito das declarações dele. ‘‘O PSDB não fará nenhum desmentido porque o Luiz Carlos está falando isoladamente’’, argumentou. O secretário-geral do partido afirmou não saber por que o ex-ministro está fazendo críticas à equipe econômica.
As críticas à equipe econômica do governo e à política cambial vigente irritaram o presidente Fernando Henrique Cardoso de acordo com fontes do Palácio do Planalto. Para esses interlocutores, Barros está ressentido por não ter sido reintegrado à equipe de governo, por ocasião da reforma ministerial, quando os parlamentares do PSDB paulista, liderados pelo governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), tentaram fazê-lo ministro novamente.
FHC recebeu pressões diretas de Covas, ainda de acordo com assessores palacianos, para trazer o ex-ministro de volta. Mas, garantem, em nenhum momento, o presidente cogitou essa possibilidade. A proximidade do presidente com o grupo tucano de São Paulo, porém, tem irritado o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães.

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