Arruda confessa que pediu violação
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segunda-feira, 23 de abril de 2001
Nelson Breve Agência Estado De Brasília 
O ex-líder do governo no Senado José Roberto Arruda (PSDB-DF) admitiu ontem, em pronunciamento da tribuna do Senado, que o depoimento da ex-diretora do Prodasen Regina Célia Borges é verdadeiro. Ele disse que pediu a violação do painel de votação a pedido do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), então presidente do Congresso. Arruda disse que é difícil negar a veracidade do depoimento de Regina, exceto por algum engano ou imprecisão de data, mas que esses enganos não comprometem em nada a veracidade dos fatos que ela relatou. O ex-líder, que chorou durante o depoimento, confirmou que ACM ligou para Regina, no dia da cassação do ex-senador Luiz Estevão, para agradecer a lista com o resultado da votação secreta.
Relatando passo a passo o episódio, Arruda confessou que em seu pronunciamento anterior usou os compromissos assinalados em sua agenda para ocultar o conhecimento da lista e do próprio episódio. Ele nega ter cobrado de Regina Borges a lista com o resultado da votação, mas confirma que ela ligou dizendo que tinha algo a lhe entregar.
Arruda disse que o seu assessor Domingos Lamoglia que depôs ontem recebeu o envelope sem saber que se tratava da lista. O senador disse que abriu o envelope, leu a lista mas não tirou nenhuma cópia. Em seguida, foi ao gabinete de ACM e este olhou a lista com atenção, conferiu voto a voto e, depois, ambos fizeram alguns comentários.
O senador disse que ele próprio pediu para que ACM ligasse para Regina para que ela tivesse a certeza de que a lista havia chegado até ACM. Arruda afirmou ainda que na sua presença o senador baiano ligou para Regina e, de fato, agradeceu a lista. Arruda disse que depois daquele dia não comentou o fato com mais ninguém. Através de mim ninguém soube da lista ou do seu conteúdo.
Arruda pediu desculpas ao senadores pela falha e garantiu que ninguém ouvirá dele a revelação da lista e que isso seria insistir na falha. Além disso, ele disse que não se recorda exatamente de todos os votos registrados.
O ex-líder do governo confirmou o depoimento de Regina mas fez duas ressalvas. Disse ter feito uma consulta pessoal à ex-diretora do Prodasen. Nessa consulta, quis saber de Regina, a pedido de ACM, se era possível conhecer os votos de uma votação no Senado.
Mas, disse Arruda, nessa consulta ele não pediu nem determinou que ela fizesse isso, nem no seu nome (Arruda) nem no de ACM.
Arruda confirmou que Regina foi à casa dele, mas contestou que teria sido no dia 27, às vésperas da sessão de cassação de Luís Estevão. Entretanto, afirmou Arruda, esses detalhes não diminuem a responsabilidade dele no episódio.
O senador disse também que depois de ter feito a consulta sobre a possibilidade de conhecer os votos, Regina respondeu que ela não podia fazer isso, mas que iria verificar. Arruda, então, disse a ela que é que se fala que talvez isso aconteça. De acordo com Arruda, Regina, no entanto, não telefonou de volta ao senador para responder se era possível ou não fazê-lo. Arruda disse ainda que Regina e ele não tiveram outros contatos depois dessa consulta.
A decisão de Arruda de confessar a responsabilidade na violação do painel eletrônico foi tomada anteontem à noite. Arruda redigiu de próprio punho o discurso de 32 páginas que leu da tribuna. A posição do presidente Fernando Henrique e do PSDB, que o abandonaram à própria sorte, foi um dos motivos que levaram o senador a optar pela confissão.
Ele foi rifado por todos e não teve apoio de ninguém, disse um assessor de Arruda, ressalvando o comportamento do líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), o único que teria oferecido solidariedade durante todo o episódio. Peço desculpas aos colegas de governo, ao qual sempre servi com lealdade, até em situações de natureza muito mais graves que esta, e mesmo quando meus mais legítimos interesses políticos foram contrariados, desabafou o próprio Arruda no discurso.
Antes de subir à tribuna, Arruda informou sua decisão ao ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, e ao deputado Arthur Virgílio que, por sua vez, acompanhou todo o pronunciamento no plenário do Senado. Eu vim para colocar toda a verdade, disse Arruda ao líder do PPS, senador Paulo Hartung (ES), que estava sentado a seu lado no plenário.
No sábado, Arruda conversou, por telefone, duas vezes com ACM. Mas em nenhum momento o avisou que faria a confissão, segundo informações de seus assessores. Arruda agora está aliviado, contou um assessor, assim que o ex-líder do governo deixou o Congresso. (Colaborou Cida Fontes)


