Os prefeituráveis de Londrina acumulam juntos, até o momento, quase 50% de doações consideradas ocultas - ou seja, aquelas que o eleitor não consegue identificar de imediato os nomes dos doadores. O dado tem como base a segunda etapa da prestação parcial de contas declarada à Justiça Eleitoral pelos seis candidatos a prefeito de Londrina. Dos R$ 871.464,19 já arrecadados, R$ 435.122,12, ou seja, 49,93%, são doações feitas por comitês locais ou pela direção estadual ou nacional de partidos políticos. A quantia é referente a quatro campanhas eleitorais, já que Barbosa Neto (PDT) e Valmor Venturini (PSOL) informaram que não tinham valores a declarar. O candidato Marcelo Belinati (PP) tem a maior fatia de ''doações ocultas'' - 99,74% dos R$ 194.586,50.
O juiz da 41 Zona Eleitoral de Londrina, Álvaro Rodrigues Júnior, chegou a assinar uma portaria obrigando os comitês e candidatos a divulgarem na internet no último dia 6 todos os nomes dos doadores, inclusive os ''ocultos'', sob pena de inelegibilidade. A portaria, porém, foi revogada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná, porque ela estaria em confronto com a regra nacional em vigor.
Pela legislação federal, a apresentação dos nomes dos doadores é obrigatória apenas na terceira e última prestação de contas, no caso dos comitês e candidatos. Este terceiro relatório é entregue somente após o término das eleições. Já os diretórios partidários obedecem a outras datas de prestação de contas, sem vínculo com o período eleitoral.
A campanha de Marcelo Belinati arrecadou R$ 19,1 mil com o comitê municipal, R$ 25 mil da direção estadual do PP e R$ 149,9 mil da direção nacional, além de R$ 500 de pessoa física. ''Somos favoráveis à transparência, e achamos fundamental que os eleitores conheçam os doadores de campanha. O problema com doações dos partidos é que nem nós sabemos quem são os doadores, então teríamos que fazer um ofício pedindo que o partido nacional nos repasse a lista'', argumentou o coordenador de campanha do pepista, Fernando Nicolau.
O segundo no índice de ''doações ocultas'' é o candidato do PSD, Alexandre Kireeff, com 85,94%. Dos R$ 89.635,94 arrecadados, R$ 33.459,99 vieram do comitê municipal, R$ 20 mil da direção estadual do partido e R$ 23.576,62 do comitê próprio da campanha do candidato. ''Não vejo inconvenientes nessas doações ocultas. Estamos preparando relatórios, para divulgar na próxima semana, para listar nossos doadores'', prometeu Kireeff.
O candidato do PMDB, Luiz Eduardo Cheida, arrecadou R$ 134.700,00, sendo R$ 4 mil do comitê municipal - o menor índice de doações ocultas (2,96%). O coordenador da campanha do peemedebista, Antônio Caetano de Paula Júnior, alegou que não concorda com o termo (''doações ocultas'') quando o dinheiro vem do comitê local. ''O comitê municipal é obrigado a prestar contas de suas doações no mesmo dia que o candidato, então as informações estão disponíveis aos eleitores'', alegou ele. O próprio comitê municipal, contudo, também pode receber doações dos diretórios estaduais e nacionais dos partidos.
O administrador financeiro da campanha do PT, Osvaldo Lima, também defendeu que já existe transparência ao eleitor nos gastos de campanha. Na segunda prestação parcial, a candidata Márcia Lopes declarou ter arrecadado R$ 452.541,75, sendo que R$ 160 mil (35,35%) foram repassados pela direção estadual do partido. ''Concordo que é necessário ter transparência, mas se você analisar o balancete feito pelos partidos, que eles têm que declarar por força de lei, você consegue cruzar os dados e ver quem são os doadores.''
O candidato Valmor Venturini não declarou valores, somente o comitê do PSOL, que arrecadou R$ 1.530,00 e registrou uma despesa de R$ 1.204,80. ''As doações foram somente de pessoas físicas'', contou o representante da coligação do candidato, Lucas Roberto Perucci. O coordenador financeiro da campanha do PDT, André Nadai, também explicou que ''não houve doação direta ao candidato Barbosa Neto''. A prestação de contas do comitê local do PDT revela que a direção nacional do partido doou R$ 50 mil para a campanha dos candidatos pedetistas na cidade. As despesas do comitê, contudo, já ultrapassaram a casa dos R$ 60 mil.

Imagem ilustrativa da imagem Arrecadação de candidatos: metade é de ‘doações ocultas’
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