Arrecadação, causa da fritura
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de janeiro de 1997
Sucursal de Curitiba 
O caixa do governo do Estado fechou o ano de 96 com R$ 400 milhões no vermelho, entre receita e despesas, sem que haja uma ação agressiva de fiscalização para aumentar a arrecadação. É esta, segundo fontes do governo e da Assembléia Legislativa, a causa principal do processo de fritura em que foi envolvido o secretário da Fazenda, Miguel Salomão. Foi um dia de constantes desmentidos e confirmações de que Salomão pode perder o cargo para o chefe da Casa Civil, Giovani Gionédis, até o final da semana.
Vocês estão querendo me derrubar da Casa Civil, brincou Giovani Gionédis, ao negar mais mudanças no governo para jornalistas. Ele atribuiu os boatos ao fato de ter passado três dias na Secretaria da Fazenda - durante a ausência de Salomão - fazendo um balanço sobre as pendências de dívidas do governo.
Segundo o próprio Gionédis, o déficit vem se acumulando desde o governo Mário Pereira e há dívidas da ordem de R$ 100 milhões em obras e uma parcela de custeio e outros R$ 134 milhões de precatórios atrasados no período de 95 e 96.
O presidente da Assembléia, Aníbal Khury, reforça as críticas de que o Estado está arrecadando pouco e gastando muito. Segundo Khury, Salomão é um homem sério, competente, mas não é um fiscalista. Ele diz que a crise dos municípios é no varejo, mas a do Estado, no atacado.
Outro secretário de Estado confirma que há descontentamento de Lerner e outros integrantes da equipe em relação a Salomão porque ele e o presidente do Banestado, Domingos Murta Ramalho, são muito Banco Central - ou seja, técnicos especializados apenas na visão técnica bancária e que não deslancham para respaldar as ações do governo.
Um deputado aliado chegou a afirmar que o Palácio Iguaçu e um grupo de parlamentares analisaram ontem uma lista de nomes possíveis para serem acomodados no remanejamento, mas que horas depois tudo voltou à estaca zero.(M.T.)


