Curitiba - Assim como a abertura dos arquivos secretos dos militares estão causando polêmica hoje, há cerca de 25 anos o mesmo aconteceu no Paraná com os arquivos da sub-divisão do Departamento de Ordem Polícia e Social (DOPS) no Paraná. O Estado foi pioneiro na abertura destes arquivos, em 1991, na primeira gestão do atual governador Roberto Requião (PMDB). O Decreto 577/91 assinado por Requião determinou a transferência dessa documentação para o Arquivo Público do Paraná.
Mesmo com a abertura, quem quisesse olhar os arquivos do Dops tinha que fazer um pedido com antecedencia, que era analisado por uma ''Comissão Permanente de Avaliação, constituída pelos secretários de Estado da Administração, da Segurança Pública, da Justiça e da Cidadania e da Comunicação Social, além de um historiador, de um pesquisador e de um professor de notória e reconhecida reputação'', conforme descreve o decreto. E foi assim até meados de 2001.
''Quando os arquivos vieram para cá estavam organizados de acordo com o sistema da delegacia. Durante esses dez anos que o acesso teve que ser autorizado pela comissão foi por uma questão de organização. Nunca houve temor de nada'', explicou a diretora do Arquivo Público do Paraná, Daysi Ramos de Andrade. Ela garante que a comissão não existia para censurar nenhuma informação, mas para preservar a integridade dos documentos até que eles fossem catalogados de acordo com o método do Arquivo Público.
No final de junho de 2001, o ex-governador Jaime Lerner (PSB) determinou, por meio do Decreto 4348/01, que os arquivos do Dops no Paraná fossem liberados ao público no Arquivo Público. É assim até hoje. Para vê-los basta assinar na hora um termo de responsabilidade do uso das informações e ver o que quiser. As regras impostas são apenas de manuseio para não danificá-los. ''Os funcionários do Arquivo estão constantemente trabalhando em cima dos documentos para aumentar as possibilidades de termos para pesquisa'', afirmou Daysi.
Atualmente, os documentos estão sendo todos microfilmados para que no futuro as pessoas possam acessá-los apenas dessa forma. Essa é uma maneira de preservá-los, explicou Daysi. O Arquivo Público do Paraná conta 55.000 fichas individuais, 3.700 dossiês individuais e 2.143 dossiês temáticos do DOPS, que abrangem o período de 1920 a 1989. Entre os dossiês individuais constam os de várias personalidades paranaenses como, por exemplo, o próprio governador Roberto Requião. Já entre as pastas temáticas, há assuntos como atividades culturais, imigração, imprensa, movimento estudantil e reivindicatórios, partidos e movimentos políticos, sindicatos e universidades.
O DOPS foi criado em 15 de março de 1937 e tinha como obrigação a prevenção, investigação, repressão e processamento de delitos de ordem política e social, crimes contra a organização do trabalho, a segurança dos meios de comunicação e transporte e outros serviços públicos. Além disso tinha também como atribuição fazer permuta com as polícias de outros estados de informações referentes a indivíduos que, na época, eram considerados perigosos à ordem política e social.
Já o Arquivo Público do Paraná foi criado antes do DOPS, em 7 de abril de 1855. A princípio sua função era reunir a memória impressa e manuscrita sobre a história e a geografia do Estado. Como as transformações político-econômicas que foram ocorrendo nos anos seguintes fez crescer o volume da documentação produzida e recebida pelo poder público, ampliou-se também as funções do Arquivo. Por isso hoje ele tem também a finalidade de armazenar documentos referentes aos atos administrativos do Paraná em geral.

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