Arquivamento de denúncia contra Beto Richa pelo 29 de abril repercute na AL
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terça-feira, 14 de março de 2017
Mariana Franco Ramos Reportagem Local 
Curitiba A decisão do Ministério Público Federal (MPF) de arquivar uma representação contra o governador Beto Richa (PSDB) pelo ocorrido no dia 29 de abril de 2015, em Curitiba, repercutiu nesta terça-feira (14) na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná. Em despacho datado de 2 de março, o órgão faz críticas à ação violenta da Polícia Militar (PM), mas cita o pedido de segurança feito pela AL, alegando que os policiais não estariam preparados para a repressão que se prosseguiu.
Naquela ocasião, há quase dois anos, mais de 200 pessoas ficaram feridas, atingidas por balas de borracha, gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e até mordidas de cães da raça pit bull. Os manifestantes, em sua maioria professores, protestavam contra a reforma na previdência dos servidores públicos estaduais, votada e aprovada na AL. O procurador Regional da República, Maurício Gotardo Gerum, analisou vídeos e chegou à conclusão de que os oficiais agiram para "proteger a própria integridade física".
"Vê-se os manifestantes avançando com os policiais, o que, possivelmente, gerou a reação com as bombas", escreveu. O pedido de investigação foi apresentado pelos deputados federais Edmilson Rodrigues (PSOL-PA), Chico Alencar (PSOL-RJ), Ivan Valente (PSOL-SP) e Jean Willys (PSOL-RJ). De acordo com eles, o tucano foi omisso, pois estava ciente dos fatos que aconteciam nos arredores do Palácio Iguaçu. "Foi um dos mais violentos episódios de repressão policial contra os populares", argumentaram.
ALÍVIO
"Essa decisão definitivamente sepulta toda e qualquer possibilidade de querer incriminar o governador, como aconteceu", comemorou o presidente da Casa, Ademar Traiano (PSDB). "O procurador analisou que a conduta do governador em nenhum momento violou nenhuma lei e muito menos a Constituição (
) O fato é que o episódio é para nunca mais se repetir na história do Paraná. Penso eu que o governador respira aliviado com esse resultado, até porque esses pareceres farão parte da história pessoal dele", completou o líder da situação, Luiz Cláudio Romanelli (PSB).
Já o líder do PT, Professor Lemos, disse que recebeu a notícia com tristeza. "O MPF poderia ter olhado o que motivou a vinda dos servidores. Foi o governador que mandou para essa Casa um projeto ferindo de morte o fundo de previdência. Retirou só em 2015 mais de R$ 1,6 bilhão e em 2016 mais de R$ 1,8 bilhão. Nesse ano, deve retirar perto de R$ 2 bilhões. Esse fundo, que deveria ter R$ 13 bilhões, está agora com R$ 7 bilhões, minguando". De acordo com o petista, independentemente dos posicionamentos, o Executivo "não precisava ter usado a força para humilhar", o funcionalismo.


