Reconhecendo como inconstitucional o projeto que previa multa para condenados por crimes de corrupção ativa e passiva praticados em Londrina, o autor, vereador Roberto Fú (PDT), pediu o arquivamento da matéria na sessão de ontem da Câmara Municipal. A proposta recebeu parecer contrário da Comissão de Justiça, sob o argumento de que cabe exclusivamente à União criar leis sobre direito penal.
Vários vereadores sinalizaram que votariam pela manutenção do parecer, como Elza Correia (PMDB), líder do governo na Câmara. ''Um projeto como esse foge completamente das prerrogativas da Câmara. Não fica nem bem para o Legislativo. Nosso papel é fiscalizar.'' O vereador Péricles Deliberador (PMN), que é advogado, lembrou que a condenação penal já implica multa ao réu, o que tornaria também a proposta redundante.
Fú admitiu as falhas. ''Sim, pode ser, mas o fato de prever multa de duas vezes o valor recebido ou pago pode inibir aquele que tem intuito de agir da má fé em Londrina.'' O vereador, que apresentou o projeto no começo do ano passado, disse que atendeu ao ''clamor da população devido à onda de corrupção na nossa cidade'' e, por isso, acredita que tal clamor é mais importante que a inconstitucionalidade. A ''onda de corrupção'' ocorreu no governo de Barbosa Neto (PDT), prefeito do qual Fú foi líder por longo tempo.
Questionado se não seria mais profícuo, como vereador, fiscalizar desmandos no Executivo e abrir comissões de investigação mesmo quando se tratar de prefeito aliado, Fú disse que ''pode até ser, mas, sobre o governo passado, quero dizer que acabei me afastando da liderança do prefeito por não concordar com atitudes do governo.'' Fú votou sistematicamente contra a abertura de Comissões Processantes (CP) contra Barbosa e contra sua cassação na CP da Centronic.

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