Curitiba - O pedido de abertura de um processo de expulsão do PMDB contra o deputado estadual Stephanes Júnior foi arquivado pela Comissão Executiva da legenda no Estado. A expulsão foi proposta pelo secretário de Estado de Educação, Maurício Requião (PMDB), depois que Stephanes Júnior votou favorável à criação de uma Comissão Especial de Investigação (CEI), na Assembléia Legislativa, para investigar os gastos do Executivo com publicidade e propaganda. A criação da CEI foi aprovada na Casa, terça-feira passada, por 20 votos a 19. A cúpula da sigla se reuniu na noite de segunda-feira para analisar o caso.
O presidente do PMDB do Estado, Renato Adur, explicou que a Executiva resolveu arquivar o pedido de expulsão porque Stephanes Júnior teria ''reconsiderado'' sua posição. ''Ele alega que não havia questão fechada dentro da bancada sobre a votação da CEI'', disse ele. Apesar da declaração de Adur, em carta escrita ao governador Roberto Requião (PMDB), Stephanes Júnior reafirma que votou a favor da CEI ''para não contrariar minha consciência, meus princípios e valores que sempre me guiaram e me elegeram membro desta Assembléia Legislativa, valorizando a transparência, um dos princípios do nosso governo''.
Na mesma carta, Stephanes Júnior alega que não esperava gerar uma ''situação tão constrangedora para o partido'', já que não seria a primeira vez que ''deputados da base governista não seguiram a orientação da liderança do governo''. Stephanes Júnior também aproveitou para criticar o líder do Governo na Casa, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB). ''(...) até o momento nunca tivemos uma reunião de bancada para tratar do apoio ou não aos requerimentos votados nesta Casa, muito menos para ouvir o posicionamento dos parlamentares sobre as matérias''.
Romanelli informou que, a partir de agora, haverá toda terça-feira, às 11 horas, uma reunião da base de apoio.
Adur e Romanelli trataram o episódio de Stephanes Júnior como encerrado, mas também enfatizaram que o caso deve servir para que outros não tenham o mesmo comportamento. Adur afirma que não pode haver ''reincidências''. ''A bancada tem que trabalhar unida e seguir à risca a orientação do líder. Em caso de reincidência, de qualquer parlamentar, a Executiva vai encaminhar um pedido de expulsão ao Conselho de Ética. Apesar de posições pessoais às vezes diferentes, o PMDB tem uma linha programática que deve ser seguida'', afirmou.
Questionado se ainda era favorável à CEI, Stephanes Júnior disse apenas que ''não pode voltar atrás'', mas que acredita que a apuração ''pode esclarecer os fatos à sociedade''.

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