Curitiba A juíza de Rio Branco do Sul, Jane dos Santos Ramos Rodrigues, mandou arquivar o inquérito policial que acusava o ex-prefeito da cidade João Dirceu Nazzari de ter mandado enterrar vários motores e blocos de automóveis furtados em um terreno no município. A juíza baseou-se no parecer da promotora Cynthia Maria de Almeida Pierri, que considerou que não haviam provas suficientes no inquérito para incriminar Nazzari.
O inquérito policial foi instalado após a polícia encontrar um cemitério de motores em junho de 2000 em um terreno próximo a empresa Brascal, de propriedade de Nazzari. A localização do cemitério foi dada através de um telefonema anônimo, que acusava também os donos de lojas de autopeças Joarez França Costa, o Caboclinho, e Paulo Pacheco Mandelli de serem os compradores das peças que estavam enterradas. A sentença da Justiça também inocentou os dois, que já haviam sido condenados por receptação de peças roubadas. Caboclinho encontra-se preso, enquanto Mandelli teve a prisão decretada, mas está foragido.
O caso do ''Cemitério de Motores'', como foi chamado à época, tem pontos nebulosos. O local onde os motores foram encontrados é alvo de uma disputa judicial entre Nazzari e Bento Alceu Chimelli, concorrente de Nazzari no ramo de venda de calcário em Rio Branco do Sul. Chimelli foi inclusive uma das testemunhas-chaves no inquérito, afirmando ter conhecimento de que carretas da Brascal descarregaram os motores no terreno, e inclusive emprestando equipamento para que os motores fossem desenterrados após a polícia descobrir a localização do cemitério.
A rivalidade entre Chimelli e Nazzari não fica apenas no plano empresarial. Logo após a descoberta do cemitério de motores, Chimelli candidatou-se à Prefeitura de Rio Branco do Sul, derrotando Nazzari, que disputava a reeleição. Atualmente, Chimelli encontra-se foragido após a polícia ter encontrado armas ilegais e veículos roubados em uma fábrica de sua propriedade.
O advogado de Nazzari, Elias Mattar Assad, pretende entrar com uma ação cobrando indenização por danos morais sofridos pelo seu cliente. ''Além de perder a reeleição, ele perdeu vários clientes e quase foi a falência. Seus filhos e familiares também sofreram com as acusações'', afirmou Assad. O advogado não afirmou se pretende entrar com ações também contra Chimelli pelas suas declarações à Justiça. ''Não falo desse senhor, até porque ele já tem problemas suficientes com o Judiciário. Só posso dizer que a Justiça assentou seus canhões nesse caso na direção errada, e meu cliente não tinha dívida com a sociedade, que lhe foi imputada'', disse.
A Folha tentou entrar em contato com Nazzari em sua empresa e através do celular, mas não obteve retorno.

mockup