Brasília - Menos de 24 horas depois de o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e 19 líderes partidários prometerem que adotarão ações de combate à corrupção, que enfrentarão o corporativismo na Casa, que dariam voz à indignação da sociedade e anunciaram o fim da complacência com os deputados supostamente envolvidos em desvio de dinheiro público, a Casa adotou ações práticas em sentido oposto. O Conselho de Ética, por 10 votos contra 3, arquivou preliminarmente o pedido de cassação do deputado João Magalhães (PMDB-MG), sem permitir sequer que o processo fosse aberto.
Contrariando as propostas moralizadoras, também o plenário da Câmara adiou, mais uma vez, para a próxima semana, a votação da emenda constitucional que institui o voto aberto no Legislativo, incluindo os processos de cassação. Chinaglia e os líderes tinham acertado a votação da proposta, que foi aprovada em primeiro turno no ano passado, mas que ainda não teve sua votação concluída. O voto secreto no plenário é apontado como um dos principais motivos para o grande número de absolvições de deputados acusados de corrupção. No caso do mensalão, o plenário livrou 12 deputados acusados de terem sido beneficiados com o esquema e cassou três.
Assim como o escândalo desencadeado pela Operação Navalha da Polícia Federal, o esquema que envolveu a denúncia contra João Magalhães trata de desvio de recursos públicos para beneficiar empresa privada em troca de propina. O caso ficou conhecido como o escândalo das ambulâncias. João Magalhães foi acusado como suposto beneficiário do esquema.
A CPI das Sanguessugas pediu a cassação do parlamentar, mas o processo acabou arquivado no fim do mandato passado sem que o deputado fosse julgado. Nesse ano, o PSOL entrou com novo pedido de cassação, que foi arquivado ontem.
O relator do pedido de cassação, deputado Hugo Leal (PSC-RJ), pediu o arquivamento com base no entendimento de que Magalhães foi anistiado pelas urnas, já que conseguiu se reeleger deputado. O parlamentar foi acusado de supostamente ter recebido R$ 42 mil em espécie do dono da Planam, Darci Vedoin, a empresa pivô do escândalo, que foi acusada de superfaturar as ambulâncias e pagar propina. A CPI acusou 69 deputados e três senadores.

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