Rio O médico sanitarista Sérgio Arouca, que era secretário de Gestão Participativa do Ministério da Saúde, esteve lúcido até dois dias antes da sua morte, no fim da tarde de sábado. Era o que se comentava,ontem, em seu velório, realizado com a presença de mais de 500 pessoas na sede da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manguinhos, da qual ele era professor na Escola de Saúde Pública e foi presidente de 1985 a 1989. O presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PPS-PE), a deputada federal Jandira Feghali (PC do B-RJ) e o presidente da instituição, Paulo Buss, foram unânimes em declarar sua importância como político e médico.
''Eu o conheci pessoalmente nos anos 70 e estreitamos relações durante a Constituinte, quando ele representava o segmento de saúde do antigo PCB'', disse Freire, que teve o médico como seu vice quando se candidatou à Presidência da República, em 1989, e o mantinha vice-presidente nacional do PPS. ''Se o partido era vanguarda na área de saúde, deve-se ao Arouca, mentor de tudo que depois entrou na Constituição de 1988, na reforma mais eficiente por que passou o Estado brasileiro. Além disso, perdi um amigo.''
Jandira Feghali lamentou sua morte em plena atividade profissional. ''Fomos deputados juntos por duas vezes, e batalhamos muito na área de saúde. Ele morre no auge de sua capacidade intelectual'', lembrou a deputada, que também é médica. Ao morrer, Arouca também preparava a 12. Conferência Nacional de Saúde, que se realizará em dezembro, coordenando grupos de estudo. ''Apesar de muito fraco fisicamente, ele esteve lúcido até a quinta-feira, quando não acordou mais e entrou em coma'', disse uma assessora dele.
Além dos atuais funcionários da Fiocruz, quase todos ex-alunos de Arouca, cientistas já aposentados estiveram lá para homenageá-lo. Freire lembrou que foi Arouca quem reconduziu à instituição, seis anos após a anistia, profissionais que o regime militar cassara. ''Foi seu primeiro ato como presidente dessa casa e uma das mais belas passagens da sua história'', disse Freire. O corpo de Sérgio Arouca será cremado hoje de manhã no cemitério do Caju.

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