O senador paranaense Flávio Arns (PT) condicionou ontem a decisão final sobre a saída dele da sigla à regulamentação das situações em que políticos da eleição majoritária podem perder os mandatos, em caso de troca de partido, por parte do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De acordo com o senador, além do posicionamento do TSE, ele vai esperar também que o caso seja homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Mês passado, dias antes de o STF deliberar pela fidelidade partidária nas eleições proporcionais - conforme os ministros, está sujeito à perda do mandato quem trocou de legenda a partir de 27 de março passado -, Arns anunciou que pretendia deixar o PT tão logo a discussão fosse finalizada nos tribunais.
''Vou aguardar o TSE delimitar as situações que configuram perda de mandato e o STF se pronunciar. Se valor o mesmo entendimento que vale para os deputados, nem que seja por meio de uma argumentação judicial tentarei deixar o partido'', afirmou. Arns se refere a situações de perseguição política ou de mudança significativa do programa da sigla que o STF elencou como possibilidades que justificariam a troca. ''No meu caso, não fui perseguido. Mas não há dúvida de que o PT passou por profundas mudanças fisiológicas desde que chegou ao poder'', comentou. As críticas do senador se acentuaram depois da abolvição do presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no processo em que nomes do PT teriam trabalhado por aquele resultado.
Sobre a possibilidade de Arns deixar o partido, o presidente estadual do PT, deputado federal André Vargas, disse ontem que o senador precisa agora esclarecer sua posição e decidir ''como quer proceder''. ''Estranhamos o comportamento dele'', declarou Vargas, acrescentando que Arns continuaria a ser chamado para as reuniões do partido. (Colaborou Maria Duarte/Equipe da Folha)

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