Acusado por senadores da CPI dos Bancos de ter mentido em seu depoimento, em relação à correspondência enviada ao banco pela Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o presidente do BC, Armínio Fraga se diz ressentido e afirma que não cometeu perjúrio. ‘‘Eu disse duas vezes, quando fui à CPI, e está nas notas taquigráficas, que houve contatos telefônicos entre o BC e a BM&F naquele dia (em que foi decidida a operação de ajuda a Marka e ao FonteCindam) e depois um contato por escrito’’, afirmou.
‘‘O que eu não disse é que depois dos contatos telefônicos o BC pediu à BM&F que formalizasse o conteúdo da discussão, porque isso era apenas o BC querendo documentar o que tinha sido discutido.’’ Em outras palavras, era uma preocupação formal de uma instituição que é formal, completou Fraga. Naquele dia, o BC, segundo Fraga, recebeu uma carta da BM&F que citava os nomes de dois bancos que teriam problemas com suas posições na bolsa: o Marka e o FonteCindam. ‘‘O BC achou que não era certo tomar qualquer medida só para duas instituições, porque naquele momento não se sabia se eram só os dois bancos a enfrentar dificuldade.’’ Ao fim das discussões, naquele dia o BC pediu à bolsa que mandasse a carta sem especificar nenhuma instituição.
Fraga sustenta que, em seu depoimento, não pretendeu pôr a responsabilidade de qualquer decisão tomada pelos ex-dirigentes do BC sobre os ombros da BM&F. Com ou sem carta, para Fraga dificilmente seria outra a decisão da diretoria do BC que, à época, avaliou que uma liquidação compulsória de contratos dos bancos na BM&F poderia trazer riscos no momento de mudança da política cambial. Não seria correto, diz ele, o BC atribuir a operação do Marka e do FonteCindam a pressões da bolsa, da mesma forma como ‘‘há exagero da bolsa na sua atitude defensiva, porque ela assinou a carta e participou dessa discussão’’, disse.

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