Arildo apresenta hoje recurso ao TJ para retornar à Câmara
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terça-feira, 15 de setembro de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Afastado anteontem do cargo por determinação de uma liminar judicial, o vereador Paulo Arildo (PSDB) entrou ontem na 10 Vara Cível de Londrina com um embargo de declaração para reverter a medida e, hoje, recorre ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) com um agravo de instrumento. Acusado pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de supostamente se apropriar, indevidamente, de cerca de R$ 16,5 mil em salários de assessores, Arildo disse ontem à FOLHA que apresentará provas de que ex-funcionários que o acusaram teriam, por exemplo, falsificado assinaturas dele para aquisição de empréstimos na própria Câmara. ''Tenho quatro falsificações de assinaturas de empréstimos, me pondo como avalista, que vou apresentar a quem tiver de esclarecer esses fatos - paguei 20 parcelas de R$ 370 e tenho uma série de canhotinhos de cheques. Estou muito tranquilo'', disse o parlamentar.
Também ontem, a Presidência da Câmara encaminhou à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar cópia do despacho do juízo da 10 Vara Cível exigindo o afastamento do tucano. De acordo com o presidente da Casa, José Roque Neto (PTB), a iniciativa - complementada com envio, ao PSDB local, de pedido de nome para suplente que pode assumir a vaga de Arildo no período de 15 dias - é parte de um ''processo de purificação'' no Legislativo. Para o corregedor, Gérson Araújo (PSDB), as conclusões do MP, na ação, mais a liminar judicial ''sem dúvida nenhuma'' que já ensejam a abertura de processo que analise, na Casa, se houve ou não quebra de decoro por parte do colega de partido. ''Apesar de que, ainda não recebemos oficialmente nenhuma representação'', ressalvou. A necessidade de uma medida do tipo, por sinal, também foi colocada pela presidnte da comissão, Sandra Graça (PP). ''Se alguém colocar isso aqui, vamos agir dentro da lei'', disse, genericamente. Sobre o tucano, a vereadora afimrou: ''Decisão judicial não se discute, se cumpre. No momento em que o parecer da Procuradoria Jurídicia chegar e for encaminhado à comissão, vamos atuar'', encerrou.
A respeito de um possível julgamento político, Arildo resumiu: ''Vejo que uma legislatura é independente de outra - vou mostrar que há divergências nos depoimentos dos ex-assessores. Se um deles ganhava pouco mais de R$ 1 mil mensais, depôs que me repassaria R$ 440 por mês e tinha despesa com carro e reforma de uma casa, com o que ele sobrevivia? Há muitas contradições''. Sobre os repasses da ex-assessora (exonerada anteontem) Izabella Faiad, conforme a ação do MP, Arildo afirmou: ''Vamos encontrar as respostas para esses valores semelhantes. Vou perguntar à Izabella o porquê dos saques - porque, na ação, não há nada confirmando que ela me depositou essas somas''.
O advogado do vereador afastado, Edgar Ehara, declarou que o agravo no TJ tem expectativa de ser apreciado até o final da semana. Ele não quis citar as razões para o embargo de declaração, mas admitiu que a exoneração da assessora é um dos motivos elencados - a Promotoria sustentava que, na posse do cargo, Arildo poderia constrangê-la ou intmidá-la, além de ter acesso diferenciado a documentos. ''Foi mais uma atitude preventiva nossa, por não concordar os com a medida extrema do juiz, e até para fortalecer o agravo que será ingressado no Tribunal'', resumiu.


