Buenos AiresDiabéticos argentinos reunidos na Praça de Maio pediram ao governo, ontem, uma ‘‘solução imediata’’ para a escassez de insulina, e acusaram os laboratórios de cobrar ágio. Representantes da Liga Argentina de Proteção ao Diabético e da Associação de Ajuda ao Diabético declararam à AFP que o governo tem que cumprir uma lei que o obriga a oferecer insulina a doentes e a exigir que a indústria distribua o medicamento, essencial.
María Inés Ortiz, vice-presidente da Liga, informou que ‘‘a escassez começou há três meses e se agravou esta semana’’, coincidindo com o fim da Lei de Conversibilidade. ‘‘Este problema o governo tem que resolver, há uma lei que nos protege e diz que a insulina tem que chegar aos doentes. O governo tem que garantir a distribuição, e os laboratórios especulam e há ágio’’, reclamou. ‘‘Tudo isso é um problema de monopólio e o que o Brasil doou à Argentina (500 mil doses) não é suficiente. Uma dose dura uma semana e não sabemos como o governo a distribuirᒒ, acrescentou.
Existem de 250 mil a 300 mil diabéticos, num universo de 2 milhões em todo o país, que precisam com urgência da insulina tipo 1, indicou Ortiz. O ministro interino da Saúde, Juan Pablo Cafiero, disse a uma emissora de rádio de Buenos Aires que o país estará perfeitamente abastecido de insulina.‘‘Posso garantir, pelos compromissos que os laboratórios e farmácias assumiram comigo’’, asseverou.
Resposta a MenemVários dirigentes peronistas responderam às declarações do ex-presidente Carlos Menem (1989-99), do partido Justicialista. Ele disse, no Chile, que o atual presidente argentino Eduardo Duhalde é ‘‘inepto’’. Em declarações a uma rádio portenha, a senadora peronista Mabel Muller considerou ‘‘absolutamente irresponsável pretender envolver o presidente (Duhalde) e outros políticos na queda de De la Rúa’’, e destacou que ‘‘foi o povo quem, com os protestos, exigiu uma mudança institucional’’.

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