Buenos Aires- O chanceler argentino, José María Vernet, descartou ontem a idéia de enviar emissários ao exterior para explicar as causas da moratória da dívida pública, afirmando que o governo do presidente Adolfo Rodríguez Saá deve se dedicar antes de tudo a apagar os focos de tensão existentes após a rebelião social da semana passada.
''A gravidade da situação argentina não é um fato de características econômicas, é um fato de características sociais e institucionais'', declarou o ministro numa coletiva conjunta com o chanceler espanhol, Josep Piqué.
Vernet advertiu sobre o risco de novos surtos de violência em alguns bairros da capital. ''Se não resolvemos a paz social, se não resolvemos os fantasmas que provocaram o fato da semana passada, para que vamos sair por aí se podem pegar Esteban Echeverría ou Florencio Varela (dois bairros da província de Buenos Aires, afetados pelos saques)?'', frisou Vernet.
''Que capacidade de negociação pode ter um governo nessas condições? Temos que estabelecer um contexto de paz interna, ordenar o sistema, tomar as primeiras medidas transitórias'', acrescentou.
Rodríguez Saá assumiu o cargo domingo, após a renúncia do presidente Fernando de la Rúa.
Menem O ex-presidente argentino Carlos Menem apoiou ontem uma eventual permanência do novo presidente Adolfo Rodríguez Saá até 2003 para completar o mandato de Fernando De la Rúa, que renunciou quinta-feira passada em meio a uma explosão social. ''Minha posição desde o início é que o presidente designado complete o mandato de De la Rúa'', disse Menem à imprensa na Casa de Governo após se reunir com Rodríguez Saá.
®MDNM¯(Leia sobre a situação da economia na Argentina no caderno Folha Economia)

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