Argentina já vive disputa presidencial
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quarta-feira, 03 de julho de 2002
Daniel Merolla<br> France Presse 
Buenos Aires Os líderes do Partido Justicialista, entre eles o ex-presidente Carlos Menem, passaram a ocupar rapidamente ontem o centro de uma imprevista disputa pela Presidência, com a saída do presidente Eduardo Duhalde no próximo ano, em uma Argentina empobrecida e desencantada. Por outro lado, o fragilizado radicalismo e a oposição de centro-esquerda, assim como os minoritários partidos da esquerda e da direita, tentavam se posicionar em relação à surpreendente antecipação em seis meses das eleições, anunciada na terça-feira pelo presidente Eduardo Duhalde.
''Se voltar à Casa Rosada (sede de governo), vou implementar a dolarização da economia. Não vou decepcioná-los'', afirmou Menem, uma fênix da política argentina, que há um ano estava em prisão domiciliar acusado de ser o chefe de uma associação ilícita para o tráfico de armas. Como feras enjauladas, os dirigentes do PJ foram os primeiros a aparecer com o objetivo de se preparar para as internas partidárias de 24 de novembro, etapa prévia à eleição presidencial de 30 de março de 2003.
Elisa Carrió, ex-radical e principal representante da luta contra a corrupção, e que lidera as pesquisas, disse que Duhalde, ''exausto de seu poder, cometeu um ato de má fé, porque apelou para uma estratégia pessoal de alargar seu governo, encurtando seu mandato, de 10 de dezembro para 25 de maio de 2003''.
''Falta uma eternidade para março'', comentou a líder da Alternativa para uma República de Iguais (ARI), um heterogêneo conglomerado de socialistas e ex-deputados de todos os partidos majoritários, que ainda é muito recente e não possui programa de governo. Por outro lado, a constelação de governadores peronistas, formada por Juan Carlos Romero (Salta), Nestor Kirchner (Santa Cruz), Carlos Reutemann (Santa Fé) e José de la Sota (Córdoba), está mais do que preparada para a disputa eleitoral, com suas máquinas de propaganda em pleno funcionamento.
Sem hesitar, reapareceu ainda no cenário político o peronista Adolfo Rodríguez Saá, o homem que durante sua presidência relâmpago de uma semana, depois da queda do radical Fernando de la Rúa em dezembro de 2001, declarou a maior moratória de dívida da história: US$ 141 bilhões.
A opinião pública, no entanto, pensa de maneira diferente, como demonstrou uma pesquisa do instituto CEOP, segundo a qual 51,1% dos argentinos consideram que a antecipação em seis meses das eleições presidenciais não resolverá a crise.


