Argello toma posse e já é alvo de representação
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terça-feira, 17 de julho de 2007
Gabriela Guerreiro e Renata Giraldi<BR>Folhapress 
Brasília - O suplente do ex-senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), Gim Argello (PTB-DF), foi empossado ontem no Senado Federal com a cobrança da oposição para que explique as denúncias de que estaria envolvido em uma série irregularidades - que vão desde o pagamento de propina até a grilagem de terras e desvio de dinheiro público. Logo após fazer o juramento de posse, Argello foi questionado pelo senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) para que se explique sobre as acusações.
''Para mim, Vossa Excelência deveria se endereçar à tribuna e imediatamente responder a estas acusações para que nós pudéssemos, de uma vez por todas, reabilitar esse Senado que não pode permanecer com o juízo que dele fazem hoje lá fora'', cobrou Virgílio.
Em resposta, Argello pediu tempo aos colegas para apresentar a sua versão sobre as acusações. ''Eu não gostaria de ser prejulgado e condenado antecipadamente. Oportunamente, demonstrarei tudo isso que o senhor (Virgílio) colocou e mostrarei que não devo nada. Não tenho absolutamente culpa nenhuma nessa história'', afirmou Argello.
Acompanhado da mulher e do filho, Argello esperou no fundo do plenário o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) terminar um discurso sobre os trabalhos legislativos do semestre para ser empossado.
O senador Renan Calheiros, que responde a denúncia no Conselho de Ética da Casa, deixou a presidência do Senado no momento da posse. Renan foi substituído pelo primeiro vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC).
A reportagem apurou que Renan não quis empossar Argello para evitar o constrangimento de ser fotografado ao lado de um senador que toma posse em meio a uma série de acusações.
A posse no Senado Federal foi a primeira aparição pública de Argello desde que Joaquim Roriz renunciou ao mandato. O novo senador é investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal por suposto envolvimento em irregularidades descobertas na Operação Aquarela.
O petebista também é acusado de desvios da ordem de R$ 1,7 milhão na Câmara Legislativa do Distrito Federal, além de responder a denúncias de que teria recebido propina.
O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), promete investigar as acusações que envolvem o suplente.
O PSOL ingressou com representação por quebra de decoro parlamentar contra Argello na Mesa Diretora do Senado para que o novo senador seja investigado pelo Conselho de Ética da Casa. O PSOL argumenta que Argello é acusado de praticar uma série de crimes que, apesar de terem supostamente sido cometidos antes do mandato, arranham a imagem do Senado - o que justificaria a representação contra o senador.


