Área social é a que gera maior insatisfação
Brasília - Na prática, as mudanças no Ministério vêm sendo planejadas há tempos, mas Lula ainda não bateu o martelo sobre nenhuma troca. Sabe-se, porém, que o presidente está insatisfeito com a maioria dos ministros da área social. Eles, por sua vez, reclamam da falta de recursos para tocar projetos, embora mais da metade do dinheiro não tenha sido usada. Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário) chegou até a discutir com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho. Dedo em riste, reclamou da escassez de verba. Lula não gostou da atitude de Rossetto, mas, apesar das tensões no campo, não pretende substituí-lo.
Ele conta com bom trânsito nos movimentos sociais. Na lista dos que têm o desempenho questionado estão Benedita da Silva (Assistência e Promoção Social), Olívio Dutra (Cidades) e José Graziano da Silva (Segurança Alimentar e Combate à Fome). Todos são amigos de Lula, que, como ele mesmo diz, não é de deixar ''companheiro no caminho''. Em outras palavras: se um ou mais desses nomes sair, será abrigado em outro posto do governo. Há também aqueles que podem concorrer a prefeituras em suas cidades, em 2004, como Olívio, em Porto Alegre (RS), embora o PT gaúcho defenda a candidatura do deputado estadual Raul Pont.
Na tentativa de dar nova cara à área social, praticamente paralisada desde o início da administração petista, o governo fará a unificação de sete programas federais: Bolsa-Escola, Bolsa-Alimentação, Bolsa-Renda, Fome Zero, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, Agente Jovem e Vale Gás. A coordenação-geral deverá ficar a cargo de Miriam Belchior, hoje assessora especial da Presidência.
''Nós temos nomes excelentes para todos os ministérios, inclusive para os sociais'', sugere Pedro Corrêa, do PP, citando um nicho que, geralmente, os aliados não querem ocupar, justamente por falta de verba.





