Área Social de Lula pode ter novas baixas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de novembro de 2004
Agência Estado 
Brasília - Depois da tempestade de sexta-feira, com a demissão da secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Ana Fonseca, devem ser registradas novas movimentações na equipe hoje. Apesar da intenção do ministro Patrus Ananias de tentar segurar técnicos ligados a Ana, o secretário do Programa Bolsa Família, André Teixeira, e o diretor do Cadastro Único, Cláudio Roquete, devem pedir para sair. Ananias passou boa parte do dia fora de Brasília, em Belo Horizonte, onde também ficou durante o fim de semana, e não teria feito ainda contatos políticos para definir o substituto da secretária-executiva e nem mudanças na equipe. A assessores, o ministro disse ter ''muitos nomes na cabeça'', mas ainda não ter tomado nenhuma decisão.
Para os cargos mais técnicos, o ministro tem a possibilidade de alistar pessoal das equipes de Porto Alegre e São Paulo, onde o PT perdeu as eleições e deixará desempregados funcionários experientes. Na Secretaria-Executiva, a tendência de Ananias é tentar alguém com quem possua mais afinidade, possivelmente de Minas Gerais.
O prefeito de Governador Valadares (MG), João Fassarela (PT), não reeleito, surgiu nos corredores do ministério como uma possibilidade, uma vez que foi apresentado à equipe em uma reunião na sexta-feira como um futuro colaborador, mas sem cargo definido. O mais provável, no entanto, é que, por questões pessoais, Fassarela fique com a coordenação política do ministério, substituindo Elisa Costa, atual coordenadora que assume em janeiro uma vaga de deputada estadual em Minas Gerais.
A exoneração oficial de Ana deve ser publicada no ''Diário Oficial'' da União (DOU) de hoje. Ontem, a secretaria-executiva não foi ao ministério. No Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, sem Ananias e Ana, ontem, não havia alto escalão para que decisões fossem tomadas. Um reflexo do atropelo com que foi tomada a decisão de exonerar a secretária na sexta-feira.
Assessores de Ananias admitem que o ministro esperava segurar Ana por mais alguns dias, na intenção de tirar o impacto da decisão e preparar uma nova equipe. A publicidade dos atritos entre os dois, no entanto, terminou por acelerar a exoneração de Ana, uma vez que a secretária-executiva do ministério havia dito que não pediria demissão.
Sem saber quem é que está com a cabeça a prêmio, e assustados pelo decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT de ceder mais espaço para os aliados, os ministros petistas reagiram. Eles pediram ao presidente nacional do partido, José Genoino, que marcasse uma reunião com todos eles. Genoino convidou Lula e este marcou a reunião para ontem à noite, na Granja do Torto. Na reunião do diretório nacional, no fim de semana, o PT aprovou resolução que permite a entrada de mais partidos no governo, como o PP.
Como reação à possibilidade de perder espaço, ministros do PT puseram na sua mira a cadeira do ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo (PC do B). Aldo venceu o embate interno com o ministro José Dirceu (Casa Civil), com a tese do governo de coalizão quando Dirceu achava que o PMDB apoiaria o governo de qualquer jeito, por não ter outra alternativa. Mesmo assim, petistas alojados no próprio Palácio do Planalto trabalham para transferi-lo para o ministério das Comunicações, onde está o ministro Eunício Oliveira (PMDB). Tudo para pôr no lugar do comunista outro petista: Jaques Wagner, que está à frente do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Nesse xadrez, Eunício poderia ser transferido para a Pasta das Cidades, no lugar de Olívio Dutra.


