O prefeito interino de Londrina, José Roque Neto (PTB), assina amanhã o decreto de desapropriação da área de 40 mil metros da antiga Indústria Têxtil Carambeí. A área, que atualmente pertence ao Grupo Massa, será destinada à Infraero para ampliação da pista do Aeroporto de Londrina e a instalação do ILS - instrumento que irá auxiliar nos pousos e decolagens das aeronaves.
A decisão do Executivo foi comunicada ontem ao Grupo Massa, pelo presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Idel), Paulo Muniz, responsável pela condução das negociações. ''(A desapropriação) é mais rápida. Foi tentada uma negociação e pediam em torno de R$ 3,3 milhões pelos 40 mil metros quadrados enquanto pagaram R$ 7 milhões pelos 240 mil metros quadrados. Considerando o preço que pagaram, não posso identificar como valor real o que pediram'', relatou Muniz.
Segundo ele, a desapropriação será decretada com base no interesse público. Na avaliação do presidente do Idel, ainda há dúvidas se existe a possibilidade de compensação da dívida da Carambeí de cerca de R$ 1,9 milhão em impostos municipais no valor da área. ''Não sei se há como compensar o imposto em uma desapropriação. O crédito do município é junto a outros credores. Creio que o imposto não tem supremacia sobre os outros créditos'', afirmou.
De acordo com ele, como o processo passará pelo Judiciário, é impossível prever quanto tempo irá demorar. ''Imagino que, sendo do interesse público e o juiz por certo acompanha as dificuldades do nosso aeroporto, dará celeridade neste processo.''
A reportagem entrou em contato com o advogado do Grupo Massa, Guilherme Gonçalves, no início da noite, mas ele disse que não poderia atender a reportagem. Mais tarde, ele não atendeu as ligações.
Pedido de informação
A Câmara de Vereadores de Londrina aprovou ontem, por unanimidade, o pedido de informação de autoria do presidente da Casa, Jairo Tamura (PSB), ao Executivo e à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, sobre a doação da uma área de 225 mil metros quadrados à Carambeí e concessão de toda a infraestrutura necessária à sua instalação além de isenção de impostos por um prazo de 10 anos. No pedido constam questionamentos sobre a área necessária à implantação do ILS, o valor venal do imóvel declarado de utilidade pública, existência de tributos municipais da antiga Carambeí e discussão do possível passivo ambiental existente. O Executivo terá 15 dias para responder ao pedido de informação. Tamura disse desconhecer a decisão do Executivo de desapropriar a área. ''Desconheço o que foi feito pelo Executivo e acredito que rapidamente o prefeito responderá o pedido.''

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