Área de escola tem mais irregularidades
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2001
Lino Ramos de Londrina 
A auditoria da Prefeitura de Londrina descobriu mais uma irregularidade no caso do terreno de 15 alqueires localizado na zona sul, onde deveria estar uma escola agrícola, mas que foi doado para a construção de um centro de eventos. Pelo menos R$ 39 mil do governo do Estado foram investidos em um pólo de fruticultura que havia na área, mas que também sumiu. A auditoria havia informado anteontem que recursos federais foram enviados para a construção da obra que não existe.
Segundo o auditor Osvaldo Alves de Lima, o projeto de fruticultura previa um repasse total de US$ 51.500. E tenho certeza que um dos repasses feito em 95 foi de R$ 39 mil, afirmou. Ele disse que o imóvel foi doado em junho de 98, após aprovação de projeto na Câmara de Vereadores, com cinco salas de aula e um estábulo construídos parcialmente com recursos federais.
O caso da escola veio à tona anteontem, quando Lima disse que o Ministério Público Federal (MPF) pediu informações à prefeitura sobre o caso. Segundo ele, a escola começou a ser erguida em 92 (durante a segunda gestão do ex-prefeito Antonio Belinati sem partido) no terreno onde o centro de eventos foi construído pela empresa PBV Representações. Cerca de R$ 200 mil foram gastos na obra. Em 96, houve novo repasse de R$ 743 mil, que estão depositados em uma conta da prefeitura.
O ex-prefeito de Londrina, Luiz Eduardo Cheida (PMDB) hoje presidente da Autarquia Municipal do Meio Ambiente confirmou que no terreno foi implantado um pólo frutífero. Ele administrou o município de 93 a 96 e disse que era um projeto para fornecer mudas aos agricultores. Fizemos um pólo muito bem sucedido, mas saímos da prefeitura e não houve continuidade.
Cheida também confirmou a existência das obras da escola, mas alegou que não deu continuidade ao projeto porque o Governo Federal não fazia os repasses. Ele disse ainda que não acompanhou o processo de doação da área, mas não condenou a doação. O centro de eventos é um investimento importantíssimo, o município estava com o terreno parado há seis anos.
Segundo o ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), José Cândido Miller Júnior, a companhia recomendou à Câmara que fizesse a doação com base em documentos enviados pela Procuradoria Geral da Prefeitura. Estávamos certos que o empreendimento era importante para Londrina. Ele afirmou ainda que a Codel não tinha informações sobre a escola agrícola ou mesmo do pólo frutífero. Belinati foi novamente procurado pela reportagem, mas não encontrado.
O procurador da República, João Akira Omoto, informou que no final do ano passado recebeu da Comissão de Obras Inacabadas do Senado, um relatório sobre 18 projetos que deveriam ser realizados em 18 municípios da região. Estamos aguardando as informações para verificar o que fazer, resumiu. Na segunda-feira, o auditor deve encaminhar as informações solicitadas pelo MPF.


